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18 dezembro 2007

[do ano que se acaba - 2]


Eu viajei muito esse ano, principalmente para os meus padrões. Logo no comecinho do ano, em março, ganhei de presente uma viagem para São Paulo. Afinal, mesmo que fosse à trabalho, nada me convence que viajar com tudo de graça pode ser trabalhoso de alguma forma.


Viagem rápida, de apenas um dia, mas suficiente para eu perceber o pandemônio organizado em que a cidade se assenta. Gente, muita gente, de todos os tipos e eu, errante pela Avenida Paulista, olhando para tudo como um bobo enamorado. Adorei São Paulo, mesmo decidindo que sua frieza é algo assustador.


Depois, outro rito de passagem. Na Semana Santa segui rumo à Fortaleza (após um acidente de carro que me privou forevá de dirigir tranquilamente na chuva), para meu último encontro de estudantes. De novo, lá estava eu, no meio de um bando de gente jovem, bonita, legal (ui), discutindo (ou não) essa tal comunicação que a gente tanto quer mudar.


Meu último Erecom me levou a perceber que, não adianta, a vida universitária é uma época curta demais. Tem gente demais parecida com você no mundo, na ótica do curso que a gente escolhe servindo como filtro e é nos encontros que isso aparece de forma mais real.


Só num Erecom da vida você pode retornar para o alojamento dentro do carro que levou a comida, conversando com uma moça super interessante do Rio Grande do Norte, enquanto come sua quentinha com a mão e segura a porta do carro, que é presa com uma corda. Só em um encontro você fica em frente ao palco dançando coreografias sem sentido, simplesmente porque é bom.


Só num encontro de estudantes de comunicação você passeia na rua de saia e não vê problema algum nos olhares diversos das pessoas que acompanham esse seu fetiche político. E só um encontro é capaz de fazer com que percebamos o quanto nosso curso é feito de pessoas e não de conteúdos, sendo elas, antes de tudo, a razão que deve te fazer seguir em frente (já disse que o texto pede um tom solene).


Fortaleza fechou bem essa minha vida de metido a estudante engajado. Apesar de ter me aventurado pelo movimento estudantil, percebi que tenho mais jeito para a ação e o plano das idéias ainda é o que predomina. Se esse não foi o motivo principal do meu abandono da organização do próximo encontro, certeza foi um bem forte.


Depois, mais pro fim do ano, voltei à Fortaleza, dessa vez em uma viagem em família, algo que não acontecia há muito tempo. Sempre tinha um problema que impedia de todos possuírem tempo, mas dessa vez tudo deu certinho. E, em uma viagem em que eu fiz praticamente nada, me diverti como há muito eu não conseguia.


O dia inteiro na praia, piscina ao chegar, comida de muito, rede e uma brisa que não cessava um instante. Três dias de sossego intenso, na companhia de Eduardo e cia. Acho que era preparação. O mesmo mês de outubro me levou de volta a Sampa, só que dessa vez nada de trabalho. Num golpe da sorte que ainda hoje eu fico sem acreditar, eu fui para o Tim Festival. Bom, dele eu já falei e muito, em um texto anterior. Deixo para continuar mais tarde... ainda tem muita coisa desse anozinho tinhoso.


15 dezembro 2007

[do ano que se acaba]


Eu encarei isso como verdade pra tentar um meio mais simples de, racionalmente, justificar os fatos que aconteceram. Dizem que o sete é o número da perfeição. Sete dias da semana, sete pecados capitais, sete horcruxes, sete virtudes, sete sacramentos. Apesar de aludir ao que seria perfeito, essa é uma característica enfadonha demais para ser colocado em alguém.


Então, sete passa a ser representativo de mudanças, pelo menos pra mim. Na busca incessante (e, ainda bem que assim o é) de se conseguir encontrar o que se faz perfeito, 2007 traz a mudança como algo necessário para que consigamos nos aproximar do que queremos ser. Você fica diferente e, como toda experiência em que o tempo te caleja, ela te faz sim melhor.


Lembro de 1997. Em dezembro do ano anterior, Luis Eduardo havia nascido. Praticamente em 1997. Não houve mudança maior na vida desde então. Em 1987, Camila, minha irmã nasceu e, apesar de eu não ter lembranças disso, foi uma mudança que também me afetou pra sempre. Estou sendo bem solene, mas é porque acho que o texto pede.


Tenho medo da repercussão que 2007 trará. Eu amei demais nesse ano, principalmente de forma velada. Daquelas de olhar e não ter, de ter de se contentar com a imaginação, de devaneios sem sentido porque eram mesmo. Chorei bem menos do que eu queria, menos até que nos anos anteriores, mas a dor enclausurada nunca esteve tão grande.


Meu pai fez palestras no sudeste e, mesmo que ela não tenha sido no mainstream Rio/São Paulo, foi um vislumbre que ele ainda vai bem mais longe. Minha mãe tomou com mais vontade as rédeas da sua vida, mesmo que ainda ela se sinta muito dependente da nossa felicidade pra basear a dela. Minha irmã entrou na faculdade e vai, de pouco a pouco, se encontrando no curso que escolheu. Eduardo cresceu, mais rápido do que todos os anos anteriores. Cada vez mais chega perto o dia em que beijá-lo durante horas seguidas não vai ser mais possível.


Trabalhei, desde janeiro, num jornal. Vi tudo que eu sempre esperava ver em relações de trabalho. Amigos de verdade, inimigos idem, puxação de saco e de tapete em várias intensidades. Saquei o quanto as pessoas têm necessidade de aparecer, mas falam merda e ainda ficam bem na fita porque o que conta é ter atitude e não inteligência. Vi que fazer jornalismo é bem mais legal do que parece, mas que só dá pra fazer se gostar. Caso contrário, bitole-se em concursos públicos e tenha vidinha de rico sem perspectiva de prazer no trabalho.


Tô me formando, o que, de cara, já seria a mudança significativa do ano. Principalmente porque ela não implica só que eu agora serei diplomado, isso é muito pouco. Não sinto mais a UFPI como minha casa já tem um bom tempo. Aliás, andar pelos corredores me dá agora uma sensação de despertencimento. Parece que eu não deveria estar ali, sinto isso no olhar das pessoas. Como se houvesse uma voz dizendo "Você não é daqui".


Sensação terrível. De um lugar que eu praticamente morei, passando, às vezes, de oito da manhã às dez da noite, que eu trabalhei pra melhorar, corri, enchi o meu saco, dos outros, aprendi o que eu agora sei fazer... Local em que a maior parte de mim eu consegui aceitar e, agora, eu vou embora com a estranha noção de que é isso que ela quer. A universidade se move de alunos novos, entrando e saindo daqueles corredores e eu agora estou velho demais pra isso.


Quem sabe eu volte. Por mim, não teria nem mesmo uma foto em placa de formatura, acho isso uma nostalgia demente. Mas você acaba indo com a maré, pra não ter que ouvir que quer ser diferente, quando na verdade nem é. Só quero ser eu mesmo. Mas, se já foi uma luta convencer a minha própria mãe de que não queria festa de formatura, seria demais para ela não me ver numa fotinha de placa. Vai pra ela esse esforço.


Aliás, esse ano eu fiz muitos esforços. Primeiro, claro, o de amar de forma velada, esse tão extenuante que ainda me atrasa. Também tive um trabalho danado para entender o quanto minha mãe me ama mais enquanto eu fico velho. As ligações se tornaram mais freqüentes, a necessidade em me fazer perceber o quanto ela sofre com a distância também. É engraçado. Não to reclamando nem nada. Mas eu pensei que sete (!) anos morando fora a tivessem feito se acostumar.



[continua]

28 novembro 2007

[the irrelevant times]

>> O ex-prefeito de Picos, José Nery de Sousa, foi preso e dormiu na penitenciária. Não tô virando comentarista político, mas isso me trouxe duas lembranças, uma dependente da outra. Meu pai foi secretário de cultura durante o mandato dele e, por uns bons anos, organizou o carnaval de lá. Num desses, em que o aniversário da minha mãe (23/02) caiu na terça-feira da festa, ele subiu ao trio elétrico no meio da noite, em frente à umas 10 mil pessoas, pediu que a banda parasse de tocar e fez uma declaração de amor para ela. Nisso, eu estava voltando com a moça que, à época, fazia minha cabeça e vi minha mãe aos prantos.


"O que foi, mãe?", perguntei assustado.


"Teu pai", ela disse e, na loucura, imaginei uma merda grande, ele a traindo com alguma piriguete interessada em coroas. Mas ela aponta pro trio e ele continuava lá em cima, dizendo que a amava.


Acho que isso aconteceu em 2003... e acho que, ainda hoje, ele faria tudo de novo. E, claro, minha mãe adorou aquilo...



>> Em meio à pedidos velados, findei por conseguir ganhar um aparelho de DVD. E não é um qualquer. Depois de mendigar em um de marca duvidosa (mas que me fez bem feliz, confesso), agora eu tenho um negão em casa, bonito, forte, másculo e, principalmente, tocando de tudo, inclusive DivX. A idéia juntou um montão de gente que torrou seu rico dinheiro em prol de um gostador de filme que estava à míngua. À eles, eternos agradecimentos!



>> Saiu a nova foto do Coringa, encarnado pelo ex-bichinha (tá, só no filme) Heath Ledger, sempre bom ator. Ela veio na capa da revista Empire e mostra que, se depender de figurino e expressão, o novo algoz do Batman vai conseguir ser ainda mais psicopata do que o do velho safado Jack Nicholson, no filme do Tim Burton. Se bem que comparar é foda, já que o aspecto realista que o Christofer Nolan injetou nas aventuras do Morcegão realmente pediam um Coringa menos palhaço e mais assassino. Eu acho que vão ser mermo válido. Roendo os dedos (as unhas já se foram) até o dia 18 de julho do ano que vem.



>> Daniel Radcliffe agora fica dizendo em entrevistas que não está muito chegado no clima mais direcionado às relações entre os personagens que o diretor David Yates está dando para “O enigma do Príncipe”. Ele diz que Rupert Grint e Emma Watson estão adorando um filme mais feliz e blá blá blá mas que ele é tribal-hard-core e gosta mais das cenas com a varinha na mão (¬¬). O certo é que esse menino está crescendo e ficando cada vez mais gótico (e chato, e pedante, e convencido, e zoofílico). Se ele acha que beijar na boca é menos interessante do que gritar magias, tudo bem, mas depois do que foi feito em “A ordem da Fênix” e sabendo de toda a trajetória de Voldemort exibida no livro seis, porque não se dar ao luxo de termos um pouquinho de pegação em Hogwarts? Eu acho muito dignas as idéias de Yates, gostei demais do seu trabalho no quinto porque senti que ele gosta de Harry Potter, apesar de, depois de conversar com Lucy, eu tenha concordado com ela que Peter Jackson deva ser o diretor do sétimo. Não, não... é brincadeira... quer dizer... assim, ah...aliás, nem sei. Dobby morreu...



>> Meu irmão faz 11 anos sábado. E vou ficar com ele em Picos, na festa que ele vai fazer em uma lan-house. É isso que vocês tão pensando: ele vai chamar um bando de gente e esse bando vai ficar jogando on-line por uma boa parte da noite, se não for a noite toda. Festas moderninhas em Picos, ya know? E, antes que você, Sanmya, pergunte assustada se tem lan-house em minha cidade, eu digo: TEM! =P



>> Ouçam Sweet Cherry Fury... é brasileira e é muito boa!

13 novembro 2007

[avenida da esperança - 2]

Se eu pudesse, eu viveria de ficar lendo em cima da minha cama, tentando sempre arranjar uma maneira boa de que o livro fique em posição. Ficaria ouvindo músicas de todos os tipos, em volume mais alto possível, imitando as formas de dançar dos meus amigos. Teria unhas que cresceriam ao meu comando, só para que eu pudesse roê-las na hora que desse vontade. Teria dinheiro, muito, pra comprar o que me desse na telha, sendo que a minha telha nem é lá muito cara. Teria um cinema para mim, com uma máquina de pipoca do lado da minha cadeira e ela seria igualzinha a do Chandler e do Joey. Moraria com meu irmão e, mesmo achando saudável, o mostraria que tem muita coisa legal no mundo além do Flamengo ganhar. Faria com que ela acreditasse. Não saberia não viver de amor...


[não é meme, mas eu respondi, Lucy...]


21 outubro 2007

[gimme 3 wishes]


De vem em quando você ama tanto alguém que esquece o quanto o seu amor não pode afastá-la do sofrimento...

Logo eu fui esquecer-me disso... Quanta ironia...

.

.

.

Sim, eu queria ser um gênio da lâmpada...

16 setembro 2007

[...]


Mom says death is as natural as birth and it’s all part of the life cycle.

She says we don’t really understand it, but there are many things we don’t understand and we just have to do the best we can with the knowledge we have.

I guess that makes sense.

But don’t you go anywhere.

.

.

.

Don’t worry…


06 setembro 2007

[em frente à televisão]


Mesmo antes de conhecer a Luciana, já não me “astrevia” a fazer qualquer tipo de lista. Sou uma pessoa de melhores-bandas-de-todos-os-tempos-da-última-semana, com uma inconstância que bate no pescoço. Minha porção Rob Fleming além de limitada é esclerosada, porque sempre esquece de algo em detrimento de outro que não sabe se é melhor ou não, something like that. BUT, isso não me impede de fazê-las, só para me arrepender depois. Inspirado por um vídeo youtubístico, lá se vai meu TOP 10 de desenhos animados da minha infância:

1. 1. Pica-pau – indiscutivelmente, o de cabelo vermelho e de grande nariz rules, meo! Pica-pau era insano, doente, politicamente incorreto e ainda cantava o clássico “everybody thinks I’m crazyyyy”. Eu não consigo pensar em minha infância sem ele, cara! E nem preciso falar muito pra saber disso.

http://br.youtube.com/watch?v=NJ0yfUELpUQ

2. 2. Pernalonga – o páreo foi duro. A minha alucinação pela ironia do Perna é sem precedentes. A cara dele com a cenoura na boca (haram!) me faz pensar em todos os desenhinhos felizes e que não usam armas de fogo de agora. Meu deus, meo, as crianças hoje não podem ter caça ao coelho, ao pato, ao coelho, ao pato... coitadas!

http://br.youtube.com/watch?v=tT9YZV_qlPY

3. 3. Cavaleiros do Zodíaco – fico me perguntando se dá pra fugir do óbvio numa lista dessas. I don’t think so... Pensar em desenho sem pensar em Pégasus dando uma forcinha pro Seiya é quase uma heresia. Teve ainda todo o lance envolvendo o fato de ser o MEU signo a salvar a deusa teen, a revista Herói, que me acompanhou meeesmo demais... Apesar de não ser um desenho bem feito e de você não conseguir assisti-lo hoje em dia (tente procê vê a decepção), tem que ta na lista por conta de ter mudado... TUDO!

http://br.youtube.com/watch?v=N1r_B3zqmN0

4. 4. Yu Yu Hakusho – o que pensar de um moleque de 14 anos que, por ser uma pessoa tão ruim, mas tão ruim, ao morrer fazendo uma boa ação assusta o povo do outro mundo, que não esperavam a vinda dele para aquele momento justamente porque ninguém achava que ele pudesse fazer algo de bom? Pois esse é Yusuke, uma das várias razões para fazer esse desenho estar sempre em tops de infância. Depois de voltar à vida, o desgraçado ainda vira um detetive espiritual e vai caçar monstros assassinos e sanguinários. Aff, doido, viu como ser bom dói?

http://br.youtube.com/watch?v=DXLaal2GKBY

5. 5. Os animaniacs – tenho certeza que só em ler “Os animaniacs” o bordão clássico já veio à cabeça: “Olááááááá, enfermeira!”. Os irmãos Warner vieram na safra do não menos bons Tiny Toons, coisa do Spilberg e a tara dele por crianças (sei não, meo). No episódio mais clássico, Wakko faz as vezes de cantor de ópera com arrotos. Impagável!

http://br.youtube.com/watch?v=0XaPGBTiFvY

6. 6. Batman – Não lembro do nome correto em português, sei que em inglês o lance era “Batman – The Animated Series”. Mas, lembrando ou não, sei que o desenho era extremamente bem feito, com um dublador fudido do senhor Waine e, por favor, a melhor trilha já feita para o Batman, que nem sei se é exclusiva do desenho, mas é a música-mor do morcegão. Clássico!

http://br.youtube.com/watch?v=m-u07UEDT5I

7. 7. A corrida maluca – Sabe aquele tipo de desenho que vale só pela abertura? Pois ta aí! Nada supera a apresentação dos pilotos desse desenho, sendo que, além dela, eu adorava os planos do Dik Vigarista, sempre correndo em algum lugar sem sentido algum e com, claro, Penélope Charmosa, a boneca do volante!

http://br.youtube.com/watch?v=IzITKXDTqa8

8. 8. Blossom – tá, o lance era por desenhos e pá. Mas se tem algo que me fez gostar mais ainda de televisão e que eu via quando era criança muuito era o seriado da feinha, talentosa, viajante Blossom. Um pai músico bonitão, um irmão drogado, outro sem cérebro, um namorado mala e, claro, pelamorde, Six, a melhor que falava-tão-rápido-que-eu-nunca-entendi-como-acharam-uma-dubladora. Não sei como a feinha fazia tanto sucesso, pelo menos comigo, que (momento confessional) era doido pra beijá-la.

http://br.youtube.com/watch?v=kYCSCbqbdJA

9. 9. Fresh Prince of Bel-air - E já que a avacalhação também abarcou as séries, depois de Blossom, nada melhor do que um Will Smith teen, com bigodinho e roupas rapper, se fazendo de pobrinho em meio aos tios ricos. Queria mesmo achar o vídeo em que a Hilary (que virou nome de uma menina lá em Picos ¬¬) tenta ler um quadrinho do Homem Aranha pro Will e, nos momentos do sentido aranha ela diz que ele está com calor (o que lendo se torna nada engraçado).

http://br.youtube.com/watch?v=ONh9PskH4lk

[esse você vai amar, luciana!!]

10. Chaves – pensando bem, meu top 10 não pode ser encarado em relações de ordem, seja crescente ou decrescente, de gostar mais de uma coisa ou outra. Porque senão eu jamais saberia onde por meu mestre Chaves. Eu morro de rir ainda hoje, mesmo sabendo diálogos, até mesmo os erros. Chaves é rei e a lista é válida tanto de baixo pra cima quanto de cima para baixo!

http://br.youtube.com/watch?v=Fm79rjlIr0Q

[esse também huahauhahauha]

03 agosto 2007

[uma vida iluminada (?)]

[porque eu sei que ela não vai ser publicada na íntegra mesmo...]

Um dos maiores símbolos dos 155 de Teresina não intimida as caras e bocas de Savana Vogue. Agarrada à cruz da Igreja de São Benedito, o travesti sente-se uma estrela, posando para as lentes fotográficas, com empinadas dos seus 3l de silicone no bumbum, bicos e levantar de pernas.


A noite da capital aniversariante não é feita somente de horários para se voltar para casa ou perigos que rondam alguma esquina vazia. O centro de Teresina ainda consegue manter sua vida mesmo quando o sol vai embora e, como parte essencial dela, estão os travestis que fazem ponto nas diversas esquinas do bairro.


"Teresina é uma cidade ótima. O preconceito diminuiu e hoje você consegue ser mais respeitada por ser travesti. Antes, entrar em um ônibus era o fim, isso se o motorista parasse para você. Agora não existe mais esse problema e a gente consegue ser bem tratada em quase todos os lugares", diz Savana, que tem 35 anos e é travesti desde os 22.


A vida dessas "mulheres" é uma montanha russa. Sempre bem humoradas e soltando diversas gírias típicas delas, o mundo em que vivem os travestis do centro de Teresina é único, pontuado por histórias de todos os tons. "Eu já cheguei a fazer até oito programas em uma só noite. Mas isso só acontece quando a gente acha um bofe bem bonito porque aí você não cobra nada e ainda faz de tudo, porque a gente também precisa se divertir", afirma Savana.


O sonho da maioria delas é embarcar para a Europa e ganhar em euro pelos programas, para depois casarem-se com um senhor rico do Velho Mundo. Excetuando o marido rico, receber muitos euros é a meta de Dandara Bionda.


Aos 23 anos, o travesti é voluptuos(a) como as famosas mulatas do Carnaval carioca, só que em versão loira e, depois de passar uma temporada em São Paulo, está de malas prontas para embarcar para Barcelona, na Espanha. "Meu namorado é corretor de imóveis em São Paulo e é louco de ciúmes de mim", garante.


"Pus 700ml de silicone nos seios e 1l no bumbum, gastando R$ 6 mil com tudo. Meu cabelo é metade meu, metade aplique e as minhas roupas, bem, essas eu compro as primeiras que eu acho na loja que caibam em mim", diz, com uma indiferença nada típica de mulheres, quando todos sabem que elas demoram muito para escolher o que vestir. "Demoro mesmo é com a maquiagem, gasto muito com ela, mas tem que ficar bonita para os bofes", garante, rindo.


Quando perguntada se não pretende fazer uma cirurgia para a retirada do pênis, Dandara dá uma gargalhada. "Você é louco? Como você acha que eu vou ganhar meu dinheiro? Os homens querem mesmo é o que eu tenho entre as pernas", revela. Segundo os travestis, quase 100% dos homens que contratam seus serviços querem ser passivos durante o sexo.


E mesmo entre as mulheres de verdade elas fazem sucesso. Dandara fala que recebe muitas cantadas delas, principalmente de ditas heterossexuais. "A gente acaba sendo tudo o que elas querem, porque entendemos a alma feminina e ainda temos uma coisa para futucá-las", afirma, rindo.


Ser travesti não é ser homossexual, apenas. Mesmo que elas sintam-se atraídas por pessoas do mesmo sexo, o desejo se parecer com as mulheres, em relação às roupas e o comportamento social é que melhor os define. E, claro, não é uma opção e sim uma orientação sexual.


"Desde criança que eu queria me vestir de mulher, parecer com elas. Quando eu conheci a Dandara, disse para ela que queria me vestir de mulher. Ela me montou e disse: 'Vai, demônio'. Isso eu tinha 10 anos", garante Rebeca Lorraine que também faz ponto nas esquinas da praça João Luís Ferreira.


A mais espevitada, Rebeca diz que quando desfilou pela casa vestida de mulher apanhou demais dos irmãos. "Um deles é policial e me odeia", diz, sorrindo. Ela também é quem conta as histórias mais fortes entre as entrevistadas.


Fala que, uma vez, levada com uma amiga por um grupo de jovens ricos da zona leste da cidade, teve sua cabeça colocada dentro da piscina, em uma tentativa de afogá-la. "Por sorte, a outra que foi comigo conseguiu ligar para a polícia, mas eles não fizeram nada. Ainda bem que aqueles playboys nos pagaram", lembra.



Mesmo as histórias mais trágicas, ganham conotações engraçadas quando ditas por elas. A mais antiga entre as entrevistadas, com 20 anos de ponto, Dayane Bianca diz que, antigamente, os travestis sofriam muito. "Antes, existia a turma do Melecão, uns riquinhos que se juntavam para bater nos travestis. Isso não existe mais", fala.

Ela lembra que, em uma das primeiras vezes em que se montou, estava próximo a Igreja de São Benedito com amigas. "Do nada, uma delas avistou a turma do Melecão e gritou para que a gente corresse", recorda. Dayane saiu correndo e disse que, mesmo com seus 95 quilos à época, pulou os muros do mosteiro de São Benedito em um único salto. "Ia muito ficar para apanhar, ia?", diz.


Não, não ia. Aliás, não o foi e voltou a rua, como todas fazem todas as noites. Porque o centro de Teresina é mais característico na presença dos seus travestis. E, no seu aniversário, como a todos que formam essa cidade, ela agradece.


Gírias:

1. Aliban: policial

2. Aquenda: ficar com alguém ou prestar atenção

3. Dzar: sair fora

4. O doce: levar uma surra ou fazer algo de ruim

5. Aqué, lajan: dinheiro

6. Ocó, bofe: homem

7. Mavu: ladrão

8. Mapô, racha: mulher

9. Elza: roubo ou ladrão

10. Caé: azar

11. Gravação: sexo oral

12. Eque, baque: desculpa esfarrapada

13. Cleide: polícia

14. Quebrar a louça: sexo entre travestis

15. Bolha: camisinha

16. Buboque: nariz

17. Apeti: peito

18. Mocozar: esconder

19. Baquiosa: mentirosa

20. Gongada, triscada: HIV soropositivo

15 julho 2007

[o que lembra a minha infância?]


1. Acordar cedo sem motivo;
2.
Bananada;

3. Suco de acerola com leite;
4. Farinha láctea;
5. Levar café da manhã na cama para a minha mãe no dia dela;
6. Almoço na casa das vovós;
7. Presentes que o papai trazia de viagem;
8. Brinquedo embaixo da cama para pensar que tinha sido o Noel;
9. Viagens de fim de ano para Forteleza;
10. Bandeirinha;
11. Trisca;
12. Patins in line;
13. Esfolação de dedos com o (pseudo) futebol;
14. Sete pecados;
15. Garrafão;
16. Mata;
17. Polícia e ladrão;
18. Se esconda;
19. Futpraça;
20. Carinho de rolimã;
21. Soltar muuuuita pipa ( que lá a gente chamava de papagaio);
22. Andar por dentro do rio, mesmo ele sujo;
23. Se embrenhar no mato para encontrar as talas para a pipa;
24. Comer baião de dois da vó;
25. Estátua de João Leopoldo;
26. Caldo de feijão da vovó;
27. Filme todo fim de semana;
28. Pouquíssimo estudo;
29.
Caverna do dragão;

30. Pica-pau;
31. Tom e Jerry;
32. Cavaleiros do Zodíaco;
33. Yu Yu Hakusho;
34. Shurato;
35. Pernalonga e Patolino;
36. O rei leão;
37. Alice no país das maravilhas;
38. Pinóquio;
39. Branca de Neve e os sete anões;
40. Risque e Rabisque;
41. Melhor amigo;
42. Dormir na casa do melhor amigo o fim de semana inteiro;
43.
Ver meu pai deitado no sofá, ouvindo as várias das músicas que me formaram;
44. Lasanha da mamãe;
45. Meu primeiro livro lido por vontade, “A macaca Sofia”;
46. Cric (clube da antiga empresa que meu pai trabalhava)
47. Campos Sales (CE);
48. Brigas seguidas de perdão mútuo com minha irmã;
49. Primos, muitos primos, sempre muitos;
50.
Natal em família;

51. Ceia de natal;
52. Ser chorão (:P);
53. Ser elogiado por ser educadinho;
54. Mas contar piadas bem sujas, a pedido dos adultos, e ainda passar por inteligente;
55. Falar, falar e falar;
56. Andar muito de bicicleta;
57. Super Nintendo;
58. Colecionar tazo;
59. Colecionar carteiras de cigarro;
60. Revista Herói;
61.
Me apaixonar por uma menina e dar a ela um anel daqueles que vinham dentro de salgadinhos baratos;

62. Me apaixonar por outra e pedir que ela gostasse de mim a uma estrela cadente, porque deu certo com o Gepeto e quis imitar;

63. Me apaixonar por uma terceira e, dois anos mais tarde, ver meu primo se engalfinhando nela e sentir como isso pode ser frustrante para sempre;
64. Brigar somente uma vez e quebrar os óculos do garoto;
65. Ter muitos colegas e poucos amigos;
66. Olhar muito;
67. Cair mais ainda;
68. Bombinha de asma;
69. Querer ficar na piscina sempre mais e mais;
70.
Tomar banho de chuva;