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28 novembro 2007

[the irrelevant times]

>> O ex-prefeito de Picos, José Nery de Sousa, foi preso e dormiu na penitenciária. Não tô virando comentarista político, mas isso me trouxe duas lembranças, uma dependente da outra. Meu pai foi secretário de cultura durante o mandato dele e, por uns bons anos, organizou o carnaval de lá. Num desses, em que o aniversário da minha mãe (23/02) caiu na terça-feira da festa, ele subiu ao trio elétrico no meio da noite, em frente à umas 10 mil pessoas, pediu que a banda parasse de tocar e fez uma declaração de amor para ela. Nisso, eu estava voltando com a moça que, à época, fazia minha cabeça e vi minha mãe aos prantos.


"O que foi, mãe?", perguntei assustado.


"Teu pai", ela disse e, na loucura, imaginei uma merda grande, ele a traindo com alguma piriguete interessada em coroas. Mas ela aponta pro trio e ele continuava lá em cima, dizendo que a amava.


Acho que isso aconteceu em 2003... e acho que, ainda hoje, ele faria tudo de novo. E, claro, minha mãe adorou aquilo...



>> Em meio à pedidos velados, findei por conseguir ganhar um aparelho de DVD. E não é um qualquer. Depois de mendigar em um de marca duvidosa (mas que me fez bem feliz, confesso), agora eu tenho um negão em casa, bonito, forte, másculo e, principalmente, tocando de tudo, inclusive DivX. A idéia juntou um montão de gente que torrou seu rico dinheiro em prol de um gostador de filme que estava à míngua. À eles, eternos agradecimentos!



>> Saiu a nova foto do Coringa, encarnado pelo ex-bichinha (tá, só no filme) Heath Ledger, sempre bom ator. Ela veio na capa da revista Empire e mostra que, se depender de figurino e expressão, o novo algoz do Batman vai conseguir ser ainda mais psicopata do que o do velho safado Jack Nicholson, no filme do Tim Burton. Se bem que comparar é foda, já que o aspecto realista que o Christofer Nolan injetou nas aventuras do Morcegão realmente pediam um Coringa menos palhaço e mais assassino. Eu acho que vão ser mermo válido. Roendo os dedos (as unhas já se foram) até o dia 18 de julho do ano que vem.



>> Daniel Radcliffe agora fica dizendo em entrevistas que não está muito chegado no clima mais direcionado às relações entre os personagens que o diretor David Yates está dando para “O enigma do Príncipe”. Ele diz que Rupert Grint e Emma Watson estão adorando um filme mais feliz e blá blá blá mas que ele é tribal-hard-core e gosta mais das cenas com a varinha na mão (¬¬). O certo é que esse menino está crescendo e ficando cada vez mais gótico (e chato, e pedante, e convencido, e zoofílico). Se ele acha que beijar na boca é menos interessante do que gritar magias, tudo bem, mas depois do que foi feito em “A ordem da Fênix” e sabendo de toda a trajetória de Voldemort exibida no livro seis, porque não se dar ao luxo de termos um pouquinho de pegação em Hogwarts? Eu acho muito dignas as idéias de Yates, gostei demais do seu trabalho no quinto porque senti que ele gosta de Harry Potter, apesar de, depois de conversar com Lucy, eu tenha concordado com ela que Peter Jackson deva ser o diretor do sétimo. Não, não... é brincadeira... quer dizer... assim, ah...aliás, nem sei. Dobby morreu...



>> Meu irmão faz 11 anos sábado. E vou ficar com ele em Picos, na festa que ele vai fazer em uma lan-house. É isso que vocês tão pensando: ele vai chamar um bando de gente e esse bando vai ficar jogando on-line por uma boa parte da noite, se não for a noite toda. Festas moderninhas em Picos, ya know? E, antes que você, Sanmya, pergunte assustada se tem lan-house em minha cidade, eu digo: TEM! =P



>> Ouçam Sweet Cherry Fury... é brasileira e é muito boa!

14 novembro 2007

[7]


Harry Potter e a pedra filosofal

- Escondeu o que de mim? – perguntou Harry, ansioso.

- PARE! Eu o PROÍBO! – gritou tio Válter, em pânico.

Tia Petúnia deixou escapar um grito sufocado de horror.

- Ah, vão tomar banho vocês dois – disse Hagrid. – Harry, você é um bruxo.

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Harry Potter e a Câmara Secreta

E virou-se para ir embora.

- Venha, Dobby. Eu disse venha.

Mas Dobby não se mexeu. Segurava no alto a meia pegajosa e nojenta de Harry, admirando-a como se fosse um tesouro inestimável.

- O meu dono me deu uma meia – disse Dobby, incrédulo. – O meu dono deu a Dobby.

- Que foi? – cuspiu o Sr. Malfoy. – O que foi que você disse?

- Ganhei uma meia – disse Dobby, incrédulo. – Meu dono atirou a meia e Dobby a apanhou, e Dobby... Dobby está livre.

Lúcio Malfoy ficou imóvel, encarando o elfo. Então, atirou-se contra Harry.

- Você me fez perder o criado, seu moleque!

Mas Dobby gritou:

- O senhor não fará mal a Harry Potter!

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Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban

“O Lord das Trevas está sozinho e sem amigos, abandonado pelos seus seguidores. Seu servo esteve acorrentado nos últimos doze anos. Hoje à noite, antes da meia-noite... O servo vai se libertar e se juntar ao seu mestre. O Lord das Trevas vai ressurgir, com ajuda de seu servo, maior e mais terrível do que nunca. Hoje à noite... o servo... vai se juntar... ao seu mestre”

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Harry Potter e o Cálice de Fogo

De muito longe, acima de sua cabeça, ele ouviu uma voz fria e aguda dizer: “Mate o outro.”

Um zunido, e uma segunda voz que arranhou o ar da noite:

- Avada Kedavra!

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Harry Potter e a Ordem da Fênix

- Uma pessoa não pode sentir tudo isso ao mesmo tempo, explodiria.

- Só porque você tem amplitude emocional de uma colher de chá, isso não significa que sejamos iguais. - disse Hermione maldosamente, retomando sua pena.

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

- Vai dar tudo certo, senhor – Harry repetia sem parar, mais preocupado com o silencio de Dumbledore do que estivera com a fraqueza da sua voz. – Estamos quase chegando... Posso aparatar com o senhor para voltarmos... não se preocupe...

- Não estou preocupado, Harry – disse Dumbledore, sua voz um pouco mais forte apesar da frieza da água. – Estou com você.

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Harry Potter e as Relíquias da Morte

Houve um estrépito quando os dentes do basilisco caíram em cascata dos braços de Hermione. Correndo para Rony, ela se atirou ao seu pescoço e chapou-lhe um beijo na boca. Rony largou os dentes e a vassoura que estava carregando e retribuiu com tal entusiasmo que tirou Hermione do chão.

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[quero ver os pottermaníacos fazerem as suas escolhas]

11 novembro 2007

[i still believe in magic]


"A garota se aproximou dele mais um passo.

- Então, pensei que gostaria de lhe dar uma coisa que fizesse você lembrar de mim, sabe, se encontrar uma veela dessas quando estiver fora, fazendo seja lá o que vai fazer.


- Acho que oportunidades de sair com garotas vão ser mínimas nessa viagem, para ser sincero.

- Esse é o lado bom que eu estive procurando - sussurou ela e, em seguida, beijou-o como nunca o beijara antes, e Harry retriubuiu o beijo, e sentiu uma felicidade que o fez esquecer todo o resto, melhor do que qualquer uísque de fogo; ela era a única realidade no mundo, Gina, a sensação do seu corpo, uma das mãos em suas costas e a outra em seus cabelos perfumados..."

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Página 95

23 agosto 2007

[yeah yeah right]


"Aparentemente, o simples fato de sermos humanos já é suficientemente dramático para todos nós; não é preciso ser viciado em heroína ou ator perfomático para vivenciar emoções extremadas. Só é preciso amar alguém"


Como ser legal - Nick Hornby
[and now, leave me alone]

05 julho 2007

[estrela solitária]


Minha relação com o futebol se deu em três instâncias básicas: a infância de certeza que eu era um perna de pau, a adolescência de percepção que nem para torcedor eu nasci e a idade adulta para constatar que ver seus amigos sofrendo durante um jogo por algo que você é indiferente pode ser extremamente engraçado e divertido, principalmente quando acompanhado de cerveja.

Já envolvendo biografias, eu sempre fui fascinado por elas. A certeza de que minha leitura é sobre algo que realmente aconteceu deixa com que minha mente avance na possibilidade de que minha vida seja, senão tão interessante quanto a dos biografados, pelo menos com a idéia de que as coisas podem sim vir a serem dignas de livro para mim.

Bem, como já é de praxe, eu sempre começo textos embromando para chegar ao assunto principal. No caso daqui, o assunto é a biografia “Estrela Solitária: um brasileiro chamado Garrinha”. Escrita por Ruy Castro, um biógrafo já consagrado, que fez livros da vida de Carmem Miranda e Nelson Rodrigues, o livro é a personificação daquela história de ascensão, apogeu e queda.

[digressão do dia: aprendi o que eram essas três palavras lendo quadrinhos da Turma da Mônica, quando o Cebolinha bola um plano quando aprende sobre essas palavras e diz que essa será a queda da dentuça. Bem, vocês imaginam o que aconteceu no fim, certo?]

Garrincha foi, de verdade, o deus da bola que todo mundo se acostumou a ouvir, nos saudosismos futebolísticos que são característica dos brasileiros. Durante todo o livro, Castro tenta nos passar (de forma bem passada, diga-se) a idéia de que Garrinha sempre jogou por prazer, não mais que isso. Dinheiro, fama, gols? Quem se importa?

O lance era mesmo poder brincar com a bola, fazê-la passear por seus pé e, num tilintar de olhos seguido de um espasmo de suas pernas tortas, mandar um adversário ao chão, se perguntando como algúem com os membros inferiores tão deformados (sim, essa é a palavra que o autor usa) possa ter tanto domínio do esporte.

Garrincha adorava tanto estar com a bola no pé que teve de ser educado para que tentasse enxergar que o objetivo era fazer gols e não fazer zagueiros comerem grama. Mas, se tem algo que ele jamais entendeu na vida era a necessidade de ser responsável, seja fazendo seu time vencer, seja com seu problema maior, o alcoolismo: foram inúmeras as tentativas de levar Garrinha a estudar, a treinar, a fazer tratamentos ou a qualquer coisa de que ele não tivesse vontade. Ele só fazia o que dava na telha.

Essa dificuldade em que ele fizesse o que era preciso sempre esbarrava no seu jeito moleque, de sorriso largo e fácil, de forma que todas as brigas eram contidas em sua ingenuidade. Qualquer pessoa perdoava Garrincha, desde técnicos que ele desfalcava à esposas que ele traia. E, se o quesito é mulher, traição era necessidade.

O homem era viciado em sexo. Todos os relatos do livro falam sobre a sua potência sexual, do seu nunca cansar e do tal membro bem maior que a média que ele possuia. Garrinha transava muito e sempre e todas as mulheres que teve conseguiu satisfazer mais que os outros. Não é à toa seu número oficial de filhos ser 14, mas sempre em dúvida pra mais, dado seu histórico.

Tudo parecia flor na vida do craque, sendo a metade inicial do livro somente de festa e alegria, na transformação do mito que o define. Daí em diante, esqueçam momentos felizes. A vida de Garrinha descarrilou de uma forma que você fica pedindo para que o livro acabe logo, tamanha angústia que se dá. O homem perde casa, perde dinheiro, perde filho, perde carro, perde jogo, perde até as pernas, que por conta do joelho, ficam, como dizer, podres.

Na época do apogeu, já chegando no declínio, entra na vida de Garrincha a mulher que, na minha opinião, merecia uma biografia tanto quanto ele: Elza Soares. Cara... Eu não fazia idéia do quanto a expressão “comeu o pão que o diabo amassou” poderia ser tão verdadeira. A mulher foi estuprada, apanhou, teve uma pá de filho, mas aí descobriu que sabia cantar, fez um escarcéu com sua voz e tornou-se diva.

Isso tudo transando freneticamente com Garrincha. Ele e Elza faziam da cama o cômodo principal da casa, ao ponto de vizinhos sentirem-se incomodados, perguntando-se como seria normal duas pessoas fazerem tanto sexo. A relação dos dois era baseada no carinho que Garrincha dava à Elza e a força que esta via em nele, sempre percebendo que ele tinha potencial para ir além. As frustadas tentativas de Elza em dar aulas à Garrincha davam uma certa medida de como ela cria nele.

Suas montanhas russas financeiras, tendo elas perdido três casas, vários carros e muito dinheiro nessa coisa toda, jamais foi motivo de tirarem o bom humor. A única coisa que realmente os afastou, sem a percepção de nenhum dos dois para a gravidade do problema, foi a bebida. Garrincha era, literalmente, um pé de cana. Bebia muito e pinga ou conhaque, nada de cerveja. Sua decorrada na segunda metade do livro é quase toda decorrente dessa doença que, à época, não foi vista como tal.

Falando mais de Ruy Castro, sua prosa é, no mínimo, excelente. Tem uma fluidez legal e, se acaso me senti tentado a deixar o livro sem terminar não foi por outra coisa senão a vida terrível que Garrincha levou depois de sua ascensão e seu apogeu. A queda não foi brusca, mas foi de tal modo intensa que tudo na vida do jogador se desfez ao mesmo tempo em que seu futebol ficava relegado ao passado.

Uma vida trágica, forte e, sem dúvida, com vários espetáculos. Digna de uma placa.