08 fevereiro 2008

[regras]


A dúvida do dia é: devo mudar de amigos? Uma análise superficial das minhas relações fraternais indica que, em sua maioria, com visíveis exceções, meus amigos não parecem comigo. Mesmo que sejam compartilhados gostos musicais, literários e cinematográficos, estes esbarram no meu próprio jeito de ser, que dificilmente se encaixa no que todos eles acreditam.

Olhando ainda de forma superficial, parece que eles se entendem entre si, conseguem enxergar neles essa capacidade de perceberem o mundo ao redor com bem mais facilidade do que eu. Aliás, a afirmação está errada: acho que o lance é mais de ter medo do mundo do que entendê-lo. Não que eu seja o corajosão da história, lutando para reconstruir a moral e os bons costumes; nunca teria disposição para isso.

Eu apenas faço o que eu acho que seria bom pra mim. Não faço o certo, sendo esse certo o que o senso comum espera de um rapaz recém-formado e com uma família estruturada. Tento agir de forma a não machucar ninguém, não por altruísmo, mas é porque não sei lidar com o ódio direcionado a mim. Só que parece que ao agir da maneira que eu quero, acabo, ó ironia sem fim, atraindo o ódio alheio.

Eu também sei que tenho uma porrada de defeitos, novamente sob a ótica do meu amigo senso comum. Não sou de manter relações, não dou atenção a quem não me dá, só para ser cobrado como se eu tivesse essa necessidade. Falo puta, viado e buceta o tempo inteiro e o atentado ao pudor sempre foi meu crime predileto. Sou obeso, o que para mim é um saco, e completamente instintivo, de forma a pensar que sempre é melhor fazer e depois analisar o que deu. Me preocupo demais com quem não merece e sempre quero ser amado, isso é fato.

Mas daí a começar a ser taxado só porque eu faço o que você não acha certo, aí já é ir além do que eu aceito. Se você não gosta, me diga, simples. Em uma conversa civilizada, educada e concisa, a gente pode chegar a um consenso do que eu possa melhorar a partir da sua visão de mundo. Porém, sempre é bom ter em mente que o que te faz não é minha matéria prima: somos produtos de um mesmo ato, entretanto o molde do meu caráter é, na falta de palavra melhor, único.

Espero sempre que os meus amigos tenham o que me dizer, até porque eu sou um solitário dependente e preciso, de vez em quando, de alguém me balançando pra me mostrar o mundo além dos meus postais, sob pena de ficar sem caminho. Só que tem de vir com carinho, cuidado, tranqüilidade e não colocando bandeiras de bom comportamento, como se eu tivesse roubado, espancada ou estuprado alguém.

Acho que não é preciso mudar de amigos. Acho que eu não preciso mudar o meu jeito. O que realmente deve ser feito é uma filtragem do que me dizem, ao invés de tentar fazer da minha vida um modelo de garantia que ninguém terá raiva de mim. Vão ter, vários têm. Com razões ou sem elas, unanimidades também são burras e é bom que eu comece a perceber que eu posso habitar o mesmo mundo de quem quer todos seguindo a cartilha da TFP.

25 janeiro 2008

[guess what? i'm pregnant]

[o blooger engoliu o último parágrafo =/ - copia e cola no editor de textos que dá pra vê-lo]

Há uma cena em Juno (EUA, 2007) que consegue captar bem a sensação que possa existir quando se tem 16 anos e está grávida: ao contar aos seus pais da situação e ser indagada sobre o fato de que ela parecia o tipo de menina que saberia o momento ideal para o sexo, a adolescente diz, sem nenhum ar melancólico: “Eu não sei muito bem que tipo de garota eu sou".


Mas o certo é que, mesmo sem saber disso, Juno McGuff é mais do que outra adolescente grávida. E é na força da interpretação de Ellen Page que há o convencimento de que, por baixo de um enredo comum, se encontra a história de uma menina que tentou, simplesmente, continuar sendo o que era, longe de responsabilidades que ela tinha consciência, mesmo com a pouca idade, de que não seria capaz de lidar.


Interpretação aqui é falta de palavra melhor. A atriz de 20 anos consegue encarnar tão bem o enfado e empáfia de uma garota de 16 anos que, caso eu não a conhecesse de outros (bons) trabalhos, acharia que ela realmente foi colocada fazendo o papel de si mesma. Na trama, como dito, ela se descobre grávida de Paulie Bleeker, seu melhor amigo e papel de Michael Cera, que está começando a se especializar em nerds engraçados, mesmo que aqui ele seja esportista.


Ela decide que não deve abortar e depois da dica de uma amiga sobre casais que procuram a adoção de crianças por não poderem ter as próprias e colocam anúncios em cadernos de descontos, ela conhece Vanessa e Mark Loring (Jennifer Garner e Jason Bateman). Limpinhos, ricos, aparência de felizes que se espalham por fotos pela casa, eles parecem ser os pais perfeitos. A sensação que Vanessa causa, com sua cara afoita, desejando o filho de Juno, dizendo que nasceu para ser mãe, é de dar arrepios, mesmo que eu tenho ficado em dúvidas sobre a atuação da Jennifer (forçada, agoniante, verdadeira?).


Juno é uma história comum, se formos pensar sob a ótica da gravidez na adolescência. Entretanto, a forma com que ela lida com a situação, deixando claro, desde o momento em que descobre o fato que ela não quer ter aquele filho cria um paradoxo relacionado com a pouca idade da garota: ela, ao mesmo tempo em que não soube ter cuidados no momento em que transou, é quem possui a maturidade de saber que não tem condições de criar a criança.


O roteiro, assinado pela novata Diablo Cody, é outro que consegue ir além do que pode ser esperado. Se a interpretação de Ellen pode ser espetacular, as tiradas irônicas que ela diz são grande parte dessa possibilidade de atuar tão bem. Jason Reitman, o diretor, tece outra pérola. Depois do ótimo “Obrigado por fumar”, de 2005, ele faz mais um filme que se segura no carisma de seu personagem principal e, com um detalhe imprescindível, escolhendo uma trilha sonora belíssima, que se integra como parte essencial do filme.


O que torna Juno diferente é a capacidade de ser bem mais do que um filme em que uma menina tem que encarar responsabilidades que não deveriam ser suas. Ele não quer fazer adolescentes criarem consciência sexual (benza deus), nem levantar bandeiras do tipo “não aborte, dê seu filho”. Só quer mostrar uma garota que queria continuar vivendo da forma que ela achava certo, mesmo que ela nem mesmo soubesse o que era esse certo que formava seu modelo de garota.

23 janeiro 2008

[alardeando]


E lá estava o vocalista da banda dizendo, em meio a nomes que não se encontravam, que a gente precisa mesmo é amar para, duas músicas depois, eu vê-lo dançando e dizendo que ela tinha mesmo era que pegar um fila bem grande. Junto aos acordes, eu amanheci e anoiteci, nessa minha guitarra desafinada que é meu entendimento da Tchecoslováquia.

E vou seguindo assim. Dias e noites de (in) constância que podem surgir em um sorriso bobo que se dá ou em uma raiva estranha de ficar sozinho, que eu vou, diletantemente (mas com o afinco dos paradoxos), absorvendo. Aliás, será isso mesmo? Absorve-se conhecimento e eu ainda não aprendi como parar de sentir isso, então, acho que seria melhor não pensar muito em esponjas. Até porque ter um rosto com duas metades diferentes é algo que não se segura: não há músculos que interpretem essa idéia.

Minha cara fica ou pra cima ou pra baixo e quando eu fico nessa dicotomia, dá uma câimbra, pior do que quando eu beijo dentro d’água. Prefiro a constância da liberdade, até porque eu nunca concordei com o Jobim. Mesmo sendo uma letra daquelas que se bastam, acho que conseguiria ser feliz sozinho. Também não é uma ode à liberdade, se pensarmos que eu gosto das chegadas surpresas quando corro para apagar tudo o que possa ser denúncia.

É mais como uma forma de extirpar a imensidão, porque algo que não explico só pode ser enorme. O meu “sozinho” é estar sem necessidade de aproximação, de não precisar ver um filme pra lembrar nem fazer associações musicais que me causam pensamentos lunáticos de bicicletas para duas pessoas.

O que eu espero de ser livre é acordar para o dia, dormir em meio à noite, em uma certeza de existência dessa divisão que vai me fazer pensar que eu tenho conserto. Tudo vai ficando azeitado junto; as peças desencaixadas pelo desejo (que não é sexual, ok?) vão se aprumando e eu vou poder sentir, de novo, que um bom cinema comigo mesmo é o melhor programa do meu domingo à tarde.


21 janeiro 2008

[mais canetas e cadernos]


Meu ensino médio pode ser resumido em uma palavra: mudança. De um moleque super inseguro e dependente do ninho familiar, tive de me acostumar a idéia de solidão estudantil, morando em um pensionato cheio de velhos e pessoas com doenças estranhas e, claro, tendo 15 anos e entrando em uma escola nova.

Fui parar no Anglo Diferencial, o antro dos estudantes menos ricos que vinham do interior. O 1º C não era a sala dos alunos da roça, nem a dos mais inteligentes, nem as dos mais bagunceiros. Aliás, nunca saquei essas divisões no ano em que fiquei lá. O certo é que morava há uma rua do colégio e, quando cheguei, o Piauí tava no horário de verão e quando eu saía de casa ainda estava escuro (?).

Escola nova, aquela coisa de ficar olhando e analisando. Mas, falador como eu sempre fui, logo quis me entrosar. Fiquei no meio termo. Não me envolvia somente com os nerds e nem só com a galera do fundão e sentava no meio da sala justamente por conta disso. Fiz meu primeiro melhor amigo da minha lista anual de melhores amigos, o Luilson, que era meu vizinho e um mala de marca maior (o que eu achava massa demais). Aliás, conhecê-lo me lembrar de uma coincidência.

Ele, no ano seguinte, em que me mandei de Teresina, acabou ficando muito amigo da Natália, que hoje é super chegada. Também fiquei amigo da Neila, que em 2001 namorou o Pedro, o mesmo que em 2005 viria a se tornar meu melhor amigo. Sim, Teresina é um ovo. Voltando à escola, o Anglo era estranho. Paredes de gesso, espaço minúsculo e bem mais puxado do que meu costume escolar.

As paredes, nós furávamos para passarmos bilhetes entre as salas, o espaço ajudava a gente a conversar mais e o ritmo eu me adaptei, tanto que nem fiquei de prova final (só em trigonometria, mas aí já era querer demais). O que eu não entendia mesmo era a dinâmica adolescente. Não tive muita vida social no ensino médio, só quando voltava para Picos. Não saía muito, no máximo ia ver filme com o Luilson, o que não conta como saída (lembro bem que a gente viu “Todo mundo em pânico” e ficamos uns três meses falando o tempo todo “What’s uuuuuuuuuup?”).

Não mantive nenhum relacionamento, só pegações mesmo, inclusive com uma mocinha do Anglo Mirim, como se chamava na época, que era a coisa mais linda do mundo. Ainda era apaixonado pela minha ex e chorava feito besta porque ela não me queria. Descobri o mundo mágico de passar bilhetes na sala de aula e comecei a usar mais de uma caneta para fazer minhas anotações, mania que fui perder, ainda bem, no ano seguinte.

Não sobrou quase nada do Anglo (se bem que teve o dia em que as paredes balançaram e todos achamos que íamos morrer, mas foi só alarde). Apesar de ainda quando eu vejo certas (duas ou três) pessoas nós nos falamos com um oi, as amizades se perderam por conta que eu não quis mais ficar em Teresina. Durante as férias, minha tia que mora em João Pessoa perguntou se eu não queria morar lá com ela.

- Posso pai?

- Se você quiser.

E lá ia eu para outra cidade em um ano. Nunca vou esquecer meu olhar para Jampa. Cheguei à noite, nem pude ir logo à praia, com certeza um dos pontos que mais me fizeram mudar. A praia era meu refúgio. Fiquei bem mais sozinho em João Pessoa do que era em Teresina, mesmo que eu não tenha nenhuma mágoa do tempo em que passei lá. Mas eu era mesmo solitário e ficar sentado na praia ou mesmo caminhar todo o domingo de manhã como eu fazia era de uma necessidade tremenda.

Fui parar no Colégio Geo, esse sim o antro dos bem nascidos da capital paraibana. Era filho de juiz, desembargador, super médicos, políticos, até donos de redes de motéis que iam para a escola em carrões amarelos e chamativos (tanto que o bedel uma vez entrou na sala perguntando quem queria ir para a Disney – DE NOVO!). Cheguei ao 2º D, também não dividido em grupos. Os paraibanos são bem mais difíceis de conquistar que os piauienses. Não sei se pela distância de onde eu vinha, foi complicado o entrosamento, mas nada que me abalasse.

Daí fiquei amigo do Diogo. Esse era mais mala ainda do que o Luilson, do tipo que uma vez levou uma arma de fogo para a escola porque iria vendê-la para um cara lá dentro mesmo. MEDO! Mas ele era gente boa demais, músico e tal; tinha uma namorada de três anos e meio com a qual não mantinha relações sexuais e eu achava super estranho, mas não comentava nada. Também foi a época da Tatiane, uma coisinha pequena e fofa que me ajudou um bocado a gostar mais da cidade. Ela veio a se tornar uma amiga incrível, mesmo que hoje a gente esteja bem distante (o que, aliás, é regra na minha vida).

Meu segundo ano foi meio que um tempo de adaptação. Botei na cabeça de ficar mesmo em João Pessoa para o terceiro ano e ia seguindo a maré, conhecendo mais gente. Foi quando eu descobri o prazer de ir ao cinema sozinho, que achei Gorillaz e combinava as músicas do primeiro cd com os locais da Terra Média e, meu deus, Harry Potter adentrou na minha existência.

Então veio o terceiro ano e eu tive a melhor época escolar da minha vida. O 3º G já começava torto quando, por falta de salas disponíveis, fomos colocados no auditório do Geo para assistirmos aula. A porta, de vidro, tinha cortinas nas quais os tarados da sala (nos quais eu não me incluía, claro) enrolavam as meninas e meio que faziam um rocambole com elas. As meninas, por sinal, eram o motor da bagunça. Lia, Larissa, Priscilla, Natália, Lucille, Roberta, Tati, Fernanda (mesmo dormindo quase 70% das aulas)... Meo, essas moças eram um terror e, claro, sempre faziam carinha de santas quando eram reclamadas.

Foram elas que ficaram bêbadas no Bregareia e foram para a aula fedendo a cachaça. Foram elas que davam em cima de professores, como Tranquilino e um de história que não lembro mais o nome. Elas que faziam um merdinha de literatura perder as estribeiras e começar a espumar pela boca (cena patética e reincidente). Eu acordava satisfeito em ir para a escola porque não existia uma manhã sem que a gente risse mermo de muito.

Tinham ainda os tipos. Jesus, uma moça que sempre ia com o cabelo armado e que, não sei, deram para colocar o Nazareno como apelido dela. Tínhamos Miss Patos, que hoje é amiga da galera, mas antes era a moça gatinha que ninguém queria por perto. Doug, que ganhava musiquinha cada vez que ia ao banheiro. São Jorge, que era auto-explicativo quando você sabia da coisinha que ele havia pegado. Palhaço, nome que gritávamos a cada momento em que ele se mostrava. Bareia, que nunca entendi o apelido. A Esquisitinha, que punha óculos escuros na hora do intervalo e colocava a camisa de modo a mostrar a bunda (e que ganhou um montinho no fim do ano só dela, depois de olhar todos ávida por participar). Pig, que era loirinha e rosada igual a personagem do Muppets Babies. Raimunda, feia de cara e boa de bunda. Paula Barata, simplesmente porque ela resolveu levar uma barata de plástico para a escola. Abelardo, que tinha um nome que era apelido.

Mas três situações são exemplos-mor do quando a gente se divertia. A primeira eram os montinhos. Outro momento para os tarados bulinarem as meninas, os montinhos viraram marca registrada da nossa turma, que os fazia em cada intervalo de aula. Tanto fizemos que, em um belo dia, quebramos a porta de vidro da sala e nunca vou esquecer a cara de terror de Priscilla, a dona do pé que chutou o vidro, levantando a mão para assumir a culpa.

Depois tínhamos a música bandeira branca, aquela marchinha de carnaval, que era entoada cada vez que recebíamos algum papel de professores e isso acontecia muuuuuuito no Geo. E, claro, o churrascão do Natalião, uma cachaçada que fizemos quando os pais de Natália viajaram e rendeu muitos ficas, vômitos pela casa inteira, mulheres fazendo strip na mesa, gente se jogando no meio do asfalto e outras coisas que não vou me lembrar.

Foi quando eu fiquei próximo de Lia, a garota que me fez ver que ser eu mesmo era bem mais interessante do que tentar não sê-lo e ela nem tem noção do quanto isso é elogioso da minha parte e o quanto que eu sinto falta do que nós éramos juntos. Foi quando eu fiquei com Tatiane e foi bom demais. Foi quando teve a aula da saudade em que todo mundo chorava e Ticiano e Rafaela ficaram a primeira e vez e, agorinha mesmo, vi no orkut deles que agora são marido e mulher. O ano acabou com a certeza de que não deveria mais ficar ali em João Pessoa. Não passei no vestibular, fiz cursinho, entrei na UFPI e tô me formando... Mesmo com gente da minha turma já casando, nem parece que passou tanto tempo...


19 janeiro 2008

[caneta e caderno]




[idéia da clarinha, que fez bem melhor do que eu]


Na quinta série eu mudei de uma escola em que vinha estudando desde o maternal para outra que era somente uma idéia distante na minha cabeça infantil. O que eu achava mais legal era o fato de que agora eu teria cadernos com pautas, escreveria de caneta e iria usar uma calça para ir à aula ao invés de calção.


Descobri, estarrecido, que existem números menores do que zero, que história era a matéria que eu mais gostava e que dizer que se namora é bem diferente de namorar. Dois trabalhos de ciências não podem ser esquecidos: o primeiro, quando a professora pediu que levássemos um achocolatado para a aula e tomássemos inteiro, sugando a caixinha para comprovar uma idéia dela.


O interessante é que isso me deu uma dor de barriga terrível, fazendo com que meu ódio àquela mulher ganhasse contornos de maldade, mesmo que, com 11 anos, a minha maldade era a mesma de um coelho. A outra foi quando confeccionamos uma biruta, aquele troço que marca a direção do vento. A gente foi até uma metalúrgica para que fosse feita a base, contratamos uma costureira para montá-la (com um pano xadrez, vermelho com branco) e gastamos tanto quanto um garoto daquela idade poderia gastar.


Bem, valeu um 10 e até hoje a biruta está na escola servindo de exemplo para as massas que continuam sendo formadas no Colégio das Irmãs de Picos. Na sexta eu comecei a estudar de manhã, depois de cinco anos à tarde. Lembro bem que foi quando eu iniciei minha paixonite pela minha "ex-namorada", sendo que ela já não andava muito aí para meus apelos, mas as lembranças dessa época são muitos poucas, acho que porque eu não era uma pessoa muito feliz.


Minha felicidade era ficar em casa, paparicando a barriga da minha mãe, que crescia e me fazia cada vez mais ansioso. Da escola em si eu não guardo lembranças fortes, nem mesmo ruins, o que é vantajoso porque, realmente, eu odiava minha vida. A sétima série seguiu quase da mesma forma. Tem um lance que eu me lembro bem que foi quando eu fui expulso de sala porque estava lendo "O mundo de Sofia" na aula de matemática.


Minha mãe, que trabalhava na escola em que eu era aluno, me viu no local onde ficavam os expulsos e me perguntou o que havia acontecido. Quando eu disse que o problema era com o livro, ela ficou meio sem argumentos, já que achava o máximo eu me interessar por literatura, algo que acontecia desde meus nove anos. Nem brigou. Meu irmão havia nascido, então a escola não era nada interessante quando se tinha a pessoa mais perfeita do mundo em sua casa, todos os dias.


Na oitava, minha vida mudou. Tenho muitas lembranças desse ano, porque eu fui muito feliz na minha sala, com gente legal, histórias legais, muita conversa e risada. Meu melhor amigo havia quase sido reprovado em outra escola e voltávamos a estudar juntos depois de três anos e eu meio que fiquei popular (não que isso fosse interessante, mas ajuda demais quando se tem 14 anos). Lembro que ele tinha (tem) grana e a gente organizou o que chamamos de "Festão do PJ". Ele era o PJ e a festa era do aniversário dele e foi mesmo uma super festa para os padrões "só cerveja escondido" que tínhamos à época.


O grupo era bem legal nesse tempo. Eu, PJ, Alisson (que era o mais careta e hoje é um dos mais malas) e Fábio (um dos caras mais inteligentes que eu conheci e a única pessoa que entendia minhas ironias, hohoho) éramos os que andávamos mais juntos, principalmente porque todos eles era amigos de infância, por conta de que nossos pais também eram amigos.


A gente sempre inventava de sair à tarde, nas casas uns dos outros, com churrascos de pão, um bocado de filmes, tomando banho de piscina e até mermo inventando trilhas de bicicleta. Aliás, bicicleta era "O" meio de transporte. Com a minha Mountain Bike de 18 marchas, eu rodava Picos inteira, e ainda levava alguém às vezes. Fiquei com meninas mais velhas, de séries mais adiantadas que a minha, o que foi trágico porque eu fiquei doidinho por ela e ela só queria diversão (chora, emo!).



Essa também foi a época dos grandes shows lá em Picos. Lembro que fui para Companhia do Pagode, Terra Samba, Zezé (:~~), e Zé Ramalho (de quem eu gosto até hoje). Lembro bem que tinha sido expulso de sala no dia anterior à um super show. Chegando em casa, minha mãe, que sempre era avisada quando o filhinho se envolvia com maloqueiragens, disse que se isso acontecesse de novo, lá estava eu perdendo a chance de ver o artista famoso. No dia seguinte, sou tirado de sala logo na primeira aula, pelo professor de Geometria que era gay (casado, com filho, mas quem se importa, né?). Me escondi na salinha dos expulsos, de luz apagada ainda, e fiquei esperando tudo acabar. Esforço compensado: à noite fui ver o Daniel ("Ai eu adoro amar vocêêê!!!").



Ganhei uma festa de aniversário surpresa, no mesmo dia em que fazíamos nosso churrasco de despedida do ensino fundamental mas, nesse tempo, eu só pensava em me mudar de Picos para a capital, ganhar a vida longe da roça...


Primeiro, segundo e terceiro ano eu falo depois, nessa retrospectiva desinteressante e boba...

17 janeiro 2008

[duas faces, mesma vontade]

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Digamos que exista a infinitude do amor e cada vez que ela dissesse uma coisinha que fosse aquilo te deixaria feliz, mesmo que você não quisesse mais nada que soasse como relacionamento. Vamos dizer que você ainda gosta dela dum jeito que vê-la mal te dá vontade de comprar sorvete, de caixas e caixas, só pra ver se, ao se empanturrar de calorias, ela dará sorrisos como os que ela dá quando assiste Friends. Pensemos que a felicidade dela é algo que você não é responsável, mas você não está nem aí porque tê-la feliz é algo que te faz sentir o mesmo. Imaginou tudo isso? Então... é assim que eu me sinto hoje...

08 janeiro 2008

[notas de ano novo]


>> Monografias são invenções de Satanás para que universitários sonhadores e utópicos percebam que quatro anos aprendendo a fazer matérias serão usados contra você quando seu orientador (que percebeu que assim o era meio tarde demais) diz que seu texto, que deveria ser acadêmico, parece, justamente, com uma matéria.


>> Amigos não são pessoas legais só porque eles são seus amigos. Amigos são pessoas normais, do mesmo jeito que você. Mas ter raiva de amigos é algo extremamente ruim e danoso para qualquer pessoa que os/as tenha. Na dúvida, não brigue com eles. Ou, melhor, não dê conselhos que possam se voltar contra você.


>> Quando você trabalha, de verdade verdade mesmo, o pulo que existe entre dois anos, chamado carinhosamente de reveillon, perde muito da representatividade. Não existe tempo para você pensar que já é um ano novo se a sua vida, pelo menos profissional, está do mesmo jeito. E é um saco pensar que, caso você não faça alguma coisa, ela pode manter-se dessa mesma forma indefinidamente.


>> 2008 está em janeiro, mas eu me sinto já meio desesperado. Até então, todos os anos eram permeados por uma sequencia: 1ª série, 2ª série, universidade (sou superdotado, ya know?). Agora, eu me formo e o que eu vou fazer? Continuar fazendo o que eu faço? Acordar tarde, trabalhar, chegar em casa e ficar na internet até de madrugada? Isso vai me levar pra onde? É, cara... crescer cada vez mais se torna difícil.


>> Serei uma pessoa cinematograficamente feliz em 2008. Batman, HP, Homem de Ferro, Hulk, Goku, Michel Gondry, P. T. Anderson, Speed Racer, Guilermo del Toro, Spielberg e Indi, Pixar, Ellen Page junto do Michael Cera, Depp junto de Burton, Scorsese junto de Rooling Stones, monstros em Nova York, Fernando Meireles, Sacha Baron Cohen...


>> O mais engraçado é que não tô esperando nada desse ano... vai ver esse será o motivo que o tornará bom (percebam que eu me contradigo e ainda faço troça)...

05 janeiro 2008

[who cares?]


Ok... seus problemas são grandes, enormes, gigantescos. Maiores até que a sua capacidade de perceber quando querem teu bem. Normal, normal... quantas vezes a justificativa de ‘entende o jeito’ das pessoas já me foi pedida como entendimento? Inúmeras. Gosto? Nem um pouco. Nada que você tiver como algo natural seu precisa ser um modelo de aceitação que me faça gostar de você apesar de tudo. Todo mundo tem defeitos e eu acho que deva até ter graça nisso.

Não porque seria ruim um mundo de perfeitinhos, até que eu não acharia má idéia. Chegarmos, todos os seres humanos, a um consenso de tudo o que seria belo e aceitável, com todos usando xícaras educadamente ou dizendo um simples ‘bom dia’ seria, para mim, algo extremamente aceitável, mesmo que as idéias divergissem. Pensar diferente de alguém nunca seria motivo para que ela fosse escrota comigo.

Todos seriam legais uns com os outros. Mas, como nem eu mesmo faço isso, claro, acho engraçado que os defeitos, por vezes, sejam tão facilmente esquecidos. Você convive com alguém e descobre que o que ela tem de bom supera tão facilmente o que não que releva como algo que te faz mal. Mas, ó ironia, sempre chega um dia que tudo aquilo que sempre foi relevado se volta contra você e se dá a percepção de que, muito mais do que vontade de ver que todos estão bem, existe egoísmo em qualquer relação entre duas pessoas.

Egoísmo. Nunca, jamais, achei esse sentimento algo ruim. Tá, serei um pouco demagógico aqui, mas quando você não o sente no intuito de fazer mal à alguém, qual o problema? Ser egoísta sem pensar no mal das pessoas é pensar em si, cuidar de si e nem vejo nada de errado nisso. Por isso que, apesar de eu achar que perfeitinhos seriam algo belo para o mundo, aceito os egoístas. Aceito quem pensa em si, quem acha que sempre é bom ser mais importante do que os outros.

Sentimentos alheios? Who cares?

27 dezembro 2007

[para 2008]


- menos amor

- mais dinheiro

- menos trabalho

- mais viagens

- menos bebida

- mais exercícios

- menos cobrança

- mais entendimento

- menos drama

- mais comédia

- menos asfalto

- mais areia

- menos pão

- mais sushi

- menos computador

- mais livros

- menos rafael

- mais rafael


22 dezembro 2007

[do ano que se acaba - 3]

ah, sabe do que mais?
lembrança de cu é rola!
vá se fuder, 2007!
e já vai bem tarde!

18 dezembro 2007

[do ano que se acaba - 2]


Eu viajei muito esse ano, principalmente para os meus padrões. Logo no comecinho do ano, em março, ganhei de presente uma viagem para São Paulo. Afinal, mesmo que fosse à trabalho, nada me convence que viajar com tudo de graça pode ser trabalhoso de alguma forma.


Viagem rápida, de apenas um dia, mas suficiente para eu perceber o pandemônio organizado em que a cidade se assenta. Gente, muita gente, de todos os tipos e eu, errante pela Avenida Paulista, olhando para tudo como um bobo enamorado. Adorei São Paulo, mesmo decidindo que sua frieza é algo assustador.


Depois, outro rito de passagem. Na Semana Santa segui rumo à Fortaleza (após um acidente de carro que me privou forevá de dirigir tranquilamente na chuva), para meu último encontro de estudantes. De novo, lá estava eu, no meio de um bando de gente jovem, bonita, legal (ui), discutindo (ou não) essa tal comunicação que a gente tanto quer mudar.


Meu último Erecom me levou a perceber que, não adianta, a vida universitária é uma época curta demais. Tem gente demais parecida com você no mundo, na ótica do curso que a gente escolhe servindo como filtro e é nos encontros que isso aparece de forma mais real.


Só num Erecom da vida você pode retornar para o alojamento dentro do carro que levou a comida, conversando com uma moça super interessante do Rio Grande do Norte, enquanto come sua quentinha com a mão e segura a porta do carro, que é presa com uma corda. Só em um encontro você fica em frente ao palco dançando coreografias sem sentido, simplesmente porque é bom.


Só num encontro de estudantes de comunicação você passeia na rua de saia e não vê problema algum nos olhares diversos das pessoas que acompanham esse seu fetiche político. E só um encontro é capaz de fazer com que percebamos o quanto nosso curso é feito de pessoas e não de conteúdos, sendo elas, antes de tudo, a razão que deve te fazer seguir em frente (já disse que o texto pede um tom solene).


Fortaleza fechou bem essa minha vida de metido a estudante engajado. Apesar de ter me aventurado pelo movimento estudantil, percebi que tenho mais jeito para a ação e o plano das idéias ainda é o que predomina. Se esse não foi o motivo principal do meu abandono da organização do próximo encontro, certeza foi um bem forte.


Depois, mais pro fim do ano, voltei à Fortaleza, dessa vez em uma viagem em família, algo que não acontecia há muito tempo. Sempre tinha um problema que impedia de todos possuírem tempo, mas dessa vez tudo deu certinho. E, em uma viagem em que eu fiz praticamente nada, me diverti como há muito eu não conseguia.


O dia inteiro na praia, piscina ao chegar, comida de muito, rede e uma brisa que não cessava um instante. Três dias de sossego intenso, na companhia de Eduardo e cia. Acho que era preparação. O mesmo mês de outubro me levou de volta a Sampa, só que dessa vez nada de trabalho. Num golpe da sorte que ainda hoje eu fico sem acreditar, eu fui para o Tim Festival. Bom, dele eu já falei e muito, em um texto anterior. Deixo para continuar mais tarde... ainda tem muita coisa desse anozinho tinhoso.


15 dezembro 2007

[do ano que se acaba]


Eu encarei isso como verdade pra tentar um meio mais simples de, racionalmente, justificar os fatos que aconteceram. Dizem que o sete é o número da perfeição. Sete dias da semana, sete pecados capitais, sete horcruxes, sete virtudes, sete sacramentos. Apesar de aludir ao que seria perfeito, essa é uma característica enfadonha demais para ser colocado em alguém.


Então, sete passa a ser representativo de mudanças, pelo menos pra mim. Na busca incessante (e, ainda bem que assim o é) de se conseguir encontrar o que se faz perfeito, 2007 traz a mudança como algo necessário para que consigamos nos aproximar do que queremos ser. Você fica diferente e, como toda experiência em que o tempo te caleja, ela te faz sim melhor.


Lembro de 1997. Em dezembro do ano anterior, Luis Eduardo havia nascido. Praticamente em 1997. Não houve mudança maior na vida desde então. Em 1987, Camila, minha irmã nasceu e, apesar de eu não ter lembranças disso, foi uma mudança que também me afetou pra sempre. Estou sendo bem solene, mas é porque acho que o texto pede.


Tenho medo da repercussão que 2007 trará. Eu amei demais nesse ano, principalmente de forma velada. Daquelas de olhar e não ter, de ter de se contentar com a imaginação, de devaneios sem sentido porque eram mesmo. Chorei bem menos do que eu queria, menos até que nos anos anteriores, mas a dor enclausurada nunca esteve tão grande.


Meu pai fez palestras no sudeste e, mesmo que ela não tenha sido no mainstream Rio/São Paulo, foi um vislumbre que ele ainda vai bem mais longe. Minha mãe tomou com mais vontade as rédeas da sua vida, mesmo que ainda ela se sinta muito dependente da nossa felicidade pra basear a dela. Minha irmã entrou na faculdade e vai, de pouco a pouco, se encontrando no curso que escolheu. Eduardo cresceu, mais rápido do que todos os anos anteriores. Cada vez mais chega perto o dia em que beijá-lo durante horas seguidas não vai ser mais possível.


Trabalhei, desde janeiro, num jornal. Vi tudo que eu sempre esperava ver em relações de trabalho. Amigos de verdade, inimigos idem, puxação de saco e de tapete em várias intensidades. Saquei o quanto as pessoas têm necessidade de aparecer, mas falam merda e ainda ficam bem na fita porque o que conta é ter atitude e não inteligência. Vi que fazer jornalismo é bem mais legal do que parece, mas que só dá pra fazer se gostar. Caso contrário, bitole-se em concursos públicos e tenha vidinha de rico sem perspectiva de prazer no trabalho.


Tô me formando, o que, de cara, já seria a mudança significativa do ano. Principalmente porque ela não implica só que eu agora serei diplomado, isso é muito pouco. Não sinto mais a UFPI como minha casa já tem um bom tempo. Aliás, andar pelos corredores me dá agora uma sensação de despertencimento. Parece que eu não deveria estar ali, sinto isso no olhar das pessoas. Como se houvesse uma voz dizendo "Você não é daqui".


Sensação terrível. De um lugar que eu praticamente morei, passando, às vezes, de oito da manhã às dez da noite, que eu trabalhei pra melhorar, corri, enchi o meu saco, dos outros, aprendi o que eu agora sei fazer... Local em que a maior parte de mim eu consegui aceitar e, agora, eu vou embora com a estranha noção de que é isso que ela quer. A universidade se move de alunos novos, entrando e saindo daqueles corredores e eu agora estou velho demais pra isso.


Quem sabe eu volte. Por mim, não teria nem mesmo uma foto em placa de formatura, acho isso uma nostalgia demente. Mas você acaba indo com a maré, pra não ter que ouvir que quer ser diferente, quando na verdade nem é. Só quero ser eu mesmo. Mas, se já foi uma luta convencer a minha própria mãe de que não queria festa de formatura, seria demais para ela não me ver numa fotinha de placa. Vai pra ela esse esforço.


Aliás, esse ano eu fiz muitos esforços. Primeiro, claro, o de amar de forma velada, esse tão extenuante que ainda me atrasa. Também tive um trabalho danado para entender o quanto minha mãe me ama mais enquanto eu fico velho. As ligações se tornaram mais freqüentes, a necessidade em me fazer perceber o quanto ela sofre com a distância também. É engraçado. Não to reclamando nem nada. Mas eu pensei que sete (!) anos morando fora a tivessem feito se acostumar.



[continua]

10 dezembro 2007

[por uma vida menos ordinária]

[de Vinícius de Moraes]


"Você que só ganha pra juntar
O que é que há, diz pra mim, o que é que há?
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar!
Por cima uma laje,
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irmão!

Falado - Pois é, amigo, como se dizia antigamente, o buraco é mais embaixo... E você com todo o seu baú, vai ficar por lá na mais total solidão, pensando à beça que não levou nada do que juntou: só seu terno de cerimônia. Que fossa, hein, meu chapa, que fossa...


Você que não pára pra pensar
Que o tempo é curto e não pára de passar
Você vai ver um dia, que remorso
Como é bom parar!
Ver um sol se pôr
Ou ver um sol raiar
E desligar, e desligar...

Falado - Mas você, que esperança... Bolsa, títulos, capital de giro, public relations (e tome gravata!), protocolos, comendas, caviar, champanhe (e tome gravata!), o amor sem paixão, o corpo sem alma, o pensamento sem espírito(e tome gravata!) e lá um belo dia, o enfarte; ou, pior ainda, o psiquiatra!

Você que só faz usufruir
E tem mulher pra usar ou pra exibir
Você vai ver um dia
Em que toca você foi bulir!
A mulher foi feita
Pro amor e pro perdão
Cai nessa não, cai nessa não

Falado- Você, por exemplo, está aí com a boneca do seu lado, linda e chiquérrima, crente que é o amo e senhor do material. É, amigo, mas ela anda longe, perdida num mundo lírico e confuso, cheio de canções, aventura e magia. E você nem sequer toca a sua alma. É, as mulheres são muito estranhas, muito estranhas...


Você que não gosta de gostar
Pra não sofrer, não sorrir e não chorar
Você vai ver um dia
Em que fria você vai entrar!
Por cima uma laje
Embaixo a escuridão
É fogo, irmão! É fogo, irmão!"

05 dezembro 2007

[sing sing sing]


>> Gostei de Gorillaz da primeira vez que eu escutei e, desde então, é a minha banda preferida e não se fala mais nisso;

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>> Desde que li Alta Fidelidade me pego muito pensando no quanto o Rob está certo quando diz que os pais deveriam se preocupar com a música que os filhos escutam.

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>> Minha mãe cantava “O vira”, do Secos e Molhados para que eu dormisse, quando eu era criança.

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>> Minhas paixões musicais são quase idênticas as minhas paixões da vida real. Furtivas, intensas e passageiras.

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>> Acho “50 receitas”, do Leoni, uma das músicas mais “leve-me daqui para a fossa” ever!

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>> Sei cantar de cor e salteado “Cada volta é um recomeço”, do Zezé di Camargo e Luciano. E adoro!

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>> “La valse d’Amelie” será a música da minha missa de corpo presente.

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>> Na sétima série, meio que roubei o cd do Oasis duma amiga só para decorar a letra de “Wonderwall”. Meio que é uma forma mais sensata de dizer “não quis devolver”.

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>> “A festa do Santo Reis”, na voz do Tim Maia, foi uma das músicas que mais escutei quando era criança. Punha o cd lá em casa e adorava, mas nunca ninguém veio me dizer o que era aquilo. Só me deixavam escutar.

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>> Sei as principais coreografias do Gera Samba/ É o tchan! (e me envergonho disso).

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>> Abusei Los Hermanos. Pronto, falei!

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>> Adoro música gospel americana e acho Mudança de Hábito 2 maravilhoso só por conta disso.

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>> Lembro da Clarissa me dizendo que sempre ouve Radiohead quando está mal. E, mais uma vez, me chegam as palavras do senhor Fleming.

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>> MP3 player é uma invenção divina.

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>> “Mas o teu amor me cura de uma loucura qualquer” é um verso que define grande parte da minha vida.

03 dezembro 2007

[mais pedaços]


Tem certas pessoas que a gente afasta mesmo. Se tem algo que eu odeio e já expus trocentas vezes essa opinião é aquela história de ficarem usando frases de "O pequeno príncipe" para garantir que meu coração seja tocado pela culpa de não cuidar dos amores alheios do jeito que os outros acham certo. Eu não sou responsável pelo que eu cativo.

Não existe essa responsabilidade tão unilateral. Mas sempre sou eu a ouvir esse epitáfio nojento. Se eu não consigo manter as pessoas por perto ou mesmo se eu dou um jeito de me afastar de algumas, isso não me faz um monstro insensível. O que eu sou, então? Aí eu já não sei. O certo é que nem sempre eu quero estar perto das pessoas, mesmo que a minha carência me faça possuir carteirinha do clube e tudo.

Adoro ter gente na minha casa, chegar e ver alguém lá dentro. Não sei se está lá porque moro perto da UFPI, não sei se foi porque se sente bem ali. O certo é que me faz bem ter gente comigo e não preciso saber os motivos dela para isso. Mas, morar sozinho não me faz querer estar sempre na rua, me refestelando em festas e animações mil. É, adoro gente por perto, adoro a sensação de ter quem eu gosto comigo.

Porém, não ter uma família faz com que as pessoas te julguem sem vontade própria, simplesmente porque você não terá uma mãe te ligando na madrugada para dizer que é hora de voltar. Mas eu tenho de voltar, eu tenho de ficar, eu tenho família. E não é por conta disso que deixei de querer estar com outras pessoas, gostar delas, amá-las até.

Eu falo muito isso, claro, porque eu me sinto culpado. Meu distanciamento natural não tem nada de falta de amor. Aliás, toda aquela história de intensidade confirma que eu sinto o que eu digo. Amar para mim é fácil, o difícil é continuar amando. Então, eu deixo. Não gosto de autoflagelação, aí eu entrego para quem pensa demais. Não é egoísmo, é auto-preservação.

Não concebo amor com sofrimento. São sentimentos muito díspares, que não tem necessidade de estarem juntos. Então, seja em relações carnais ou de amizade, tudo tem um fim, acaba, it's over, baby! E ficar naquele remanso de ressuscitação só faz como que percebamos cada vez mais o que o outro não tem mais nada a oferecer a nós mesmos e nos seguremos no que, no início, fez com que ficássemos amigos (amor sem sexo = amizade, mas continua sendo amor).

Amigos para sempre? Pode ser... não deixo jamais de ter um sentimentozinho aceso que permita que eu acredite nisso. Mas ainda opto pela praticidade. Mesmo que ela venha envolta de uma culpa suprema e uma dor galopante... que passa. E eu perdi o eixo desse falatório todo, misturei tudo e, de novo, não sei por quê estou tocando nesse assunto... Mas ele volta...