30 outubro 2007

[tim festival]

Até o momento que eu vi o palco enorme, eu não acreditava que era sim a minha pessoa que estava lá, dentro do Anhembi, em São Paulo, para ver o Tim Festival. Não importava o quanto de pessoas vestidas estranhas eu visse, quantas camisas de bandas de todos os cantos em olhasse ou mesmo o ingresso que eu teimava em manter próximo a minha mão: só quando me vi com os pés no cimento é que caiu a ficha e eu saquei que iria ver shows que não eram para esquecer nunquinha.
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Fui para o Tim Festival na cara e na coragem, com pouca grana e nada de credenciais, porque esse ano parece que o pessoal da organização pensou que nenhum piauiense iria querer saber deles. Ledo engano. Acompanhado de mais três conterrâneos e sabendo de outros vários espalhados, chegamos cedo ao local do show.

Por outro golpe da sorte, o dia 28 de outubro foi quente, espantando a chuva que era dada como certa. Os tipos, cada vez mais estranhos e interessantes, se aglomeravam perto do palco e eu ficava cada vez mais nervoso. Eu não acreditava. Dali a pouco, artistas que eu só via em clipes de You Tube ou de downloads de internet iam estar ali, há 20 metros de mim.


Mas daí já não tinha tempo. “This is Spank Rock, motherfuckers!” e lá estavam os americanos de Baltimore iniciando o festival. Misturando hip hop com eletro, a banda mostrou uma interação incrível com a platéia, fazendo um batidão, com percussionistas, DJ’s, simulações orgásticas e muita dança para o público.

Apesar de o show ter sido minúsculo, por volta de 45 minutos apenas, deu para esquentar e, ainda, foi nele em que tivemos os únicos moshs da noite: sendo quase jogados pelo resto da banda, três integrantes se entregaram aos braços da galera, arrancando gritos histéricos de todos.

A noite chegou e junto dela veio o Hot Chip. Os ingleses fizeram o show mais fraquinho da noite, mesmo com vários fãs cantando junto. Não se sabe se pelo aspecto inglês de ser, mas o certo é que eles praticamente não interagiram com a platéia, fazendo um show mais voltado para eles mesmos.

Ainda sofreram com uma parada de 18 minutos, por conta de problemas no som, que fizeram o ânimo ainda ficar mais instável. Mesmo assim, na hora de Over and Over, o maior hit do grupo, os pulos foram constantes, apesar de pontuais.

Ao fim, mais de 1h de espera. O clima mudava, as nuvens ficavam mais escuras, mesmo que a chuva não aparecesse. No palco, bandeiras eram hasteadas, telões eram colocados, além de uma pequena arquibancada. A espera parecia infinita, mas toda ela foi compensada.


Enfileiradas, diversas mulheres envoltas em roupas bufantes e instrumentos de orquestra, cada uma com uma bandeirinha nas costas, se aglomeravam na arquibancada que havia no palco. E elas abriam caminho para um ser pequeno, em um turbante enorme, que entrava ao som de Earth Intruders: Björk, a deusa do gelo, estava no palco.

Nada havia me preparado para aquilo. Tudo no show foi pensando tendo alguma razão de existir. Fosse a orquestra, a subversão na falta de guitarras e baixos, ou os dois capitães dos computadores, que sampleavam as músicas ao toque de dedos, em um equalizador high-tech, a sensação era de transe.

E, claro, existia Björk. Dançando freneticamente, pulando no palco, dizendo “obrigados”, a islandesa causava sensações impressionantes em seus fãs, que choravam, gritavam e mantinham os olhos fechados em forma de prece. Era quase uma celebração pagã, em que uma deusa vinda de um local distante mostrava aos seus adoradores que ela era sim misericordiosa e poderia fazer seus desejos serem atendidos: sem dúvida o show mais bonito que eu já havia visto.

Depois de mais uma hora para retirada dos apetrechos do show da Björk (atrasos foram constantes em toda a noite), um palco quase limpo de detalhes foi tomado por Juliette & The Licks. Depois de abrir com Smash Ang Grab, uma piradíssima Juliette Lewis perguntava aos fãs: “Do you really really Love the Licks?”. “Yeah”, responderam em uníssono, dando a deixa para que ela fizesse o que bem queria.


Isso inclui pulos frenéticos, simulações excitantes com o microfone, peitinho de fora para o baterista e uma super intimidade com a platéia. Músicas como Get Up e Hot Kiss ainda eram acompanhadas por todos, mostrando que atriz-cantora sabe mesmo agradar diversos públicos. Entretanto, a banda sofreu com um som abafado, que tirou muito da graça de ouvir a voz desesperada de Juliette, mas que foi compensando por ela própria.

Uma correria para próximo do palco tomou conta do público ao fim de Juliette. Eram os Arctic Monkeys que se preparavam para entrar e parece que todas as quase 30 mil pessoas que estavam no Anhembi queriam vê-los. Com uma decoração simples, como em uma garagem iluminada por holofotes, Alex Turner e companhia fizeram o show mais elétrico da noite.


Com todas as músicas acompanhadas pelos fãs, eles dosaram bem as escolhas do primeiro cd, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not com as do segundo, Favourite Worst Nightmare. É incrível poder assistir um show de uma banda como Arctic Monkeys. Apesar da pouca idade, eles parecem estar em uma espécie de auge criativo, sendo extremamente intensos, como provaram na seqüência Fake Tales of San Francisco e I Bet You Look Good On The Dancefloor.

Mesmo pequeno e o pouco falatório com a platéia, os Macaquinhos do Ártico fizeram um show no ponto, que valeu a expectativa criada por ser hype internético.

Pés que doíam intensamente, uma fome desgraçada e tudo acabado nos bares do evento (só sobrou cerveja à cinco reais): antes do show do The Killers a sensação que tive é de que iria me desfazer em dor. Mas quando a decoração estilo old Las Vegas bíblico se iluminou e o vocalista Brandon Flowes chegou ao microfone, pedi aos deuses da música mais um pouco de força.


E valeu a pena. Mesmo com um atraso de três horas, a banda americana conseguiu fazer todo mundo perder mais um pouco da cabeça. Os hits estavam todos lá, como a enlouquecedora de platéias Somebody Told Me e Mr. Brightside, além de outras menos conhecidas, mas ainda assim ótimas da banda, como Jenny was a friend of mine, todas do primeiro cd, Hot Fuss, e o pop de Bones, do segundo trabalho, Sam’s Town.

Os Killers se despediram perto já das cinco da manhã, quando a enxurrada de gente começava a sair do Anhembi. Em casa, ainda excitado, me perguntava se tinha tudo sido verdade. Era sorte demais... Mas foi!

25 outubro 2007

[is this it]


O que eu queria te dizer era que, realmente, se eu for pensar bem, não sobrou muita coisa. Acho que umas músicas que a gente aprendeu junto, aquele dedilhado que eu teimo em repetir, um frasco de perfume que eu guardei...


Mas por que o sentimento deveria ser o mesmo depois de tanto tempo? Seguimos em frente, eu, na mesma idéia de conseguir abarcar o mundo sem me apegar a ele e você com seus sonhos de abarcar o mundo justamente para amá-lo. Não me agrada gostar de ninguém, você sabe.


Eu aprendi a achar esse lance de amor um entrave na vida das pessoas. Ter um filho, pra que? Não poder nunca mais dormir tranqüilo sem saber que ele respira ou mesmo entregar um carro só para satisfazer a adolescência dele mas morrendo de medo de uma morte em um sinal?


E onde fica meu sono nisso tudo? Onde eu encaixo o meu egoísmo, esse sim parte importante do que me faz ser mais forte do que a frustração de amar? Porque doer, já doeu um bocado. Principalmente porque o centro de controle do que sente é diferente daquele que diz.


Sim, eu quero falar que sou egoísta, que, realmente, meu amor é algo descartável, pra que eu possa manter-me longe da dependência que ele cria. Mas eu e você sabemos que ainda terei um filho e vou chorar em cada chute que ele der na sua barriga, porque esse filho nós decidimos ter juntos.


Mas eu digo sim que preferiria o egoísmo de um sono tranqüilo às experiências paternais. Porque eu tenho mesmo medo de amar e isso não é paradoxal. Eu fui criado para amar demais, eu fui criado sendo amado demais. Eu criei vínculos amorosos que sempre ultrapassaram os discursos alheios.


Eu tive mãe de filme infantil, que leva doce na cama e acorda o filho com um beijo na testa. Eu tive um pai que não tava cansado quando chegava do trabalho e punha meu presente de Natal embaixo da cama. Eu tenho pais que se amam e se beijam e se completam, mesmo depois de tanto tempo juntos. Me criaram para acreditar que amor é isso.


Daí, sofrer por conta de algo que sempre me foi passado como perfeito é pedir muita racionalidade. Meu abandono é minha forma de dizer que a sua realidade me incomoda e, se eu não puder ter aquela que fui colocado para acreditar que exista, serei único na minha procura sim.


Por isso, eu vou tentar esquecer que você disse que eu trato as pessoas como cartas. Porque, como eu, você está sendo egoísta, pensando que só a sua forma de amar é a certa. Ficamos quites. Porque eu também acho que a minha é que a vai me fazer feliz. E, nesse momento, minha felicidade é dormir.

22 outubro 2007

21 outubro 2007

[gimme 3 wishes]


De vem em quando você ama tanto alguém que esquece o quanto o seu amor não pode afastá-la do sofrimento...

Logo eu fui esquecer-me disso... Quanta ironia...

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Sim, eu queria ser um gênio da lâmpada...

[don't you have anything better to do?]


tarefa repassada, à pedidos velados, por karla nazareth

the rules:

a) pegar um livro próximo (próximo, não procure).
b) abrir na página cento e sessenta e um.
c) procurar a quinta frase completa.
d) postar essa frase em seu blog.

observação a) não escolher a melhor frase nem o melhor livro.
observação b) repassar para outros cinco blogs (facultativo nessa jurisdição).

Livro: O Pasquim - Antologia - Vol. 1

"Eu tenho um revólver mas é de mentira"

[O fillho de Robin Hood - Vinícius de Moraes]


Repassada:

1. Clarinha Paz
2. Luciana Dantas
3. Pedro Jansen
4. Sanmya Meneses
5. Ana Clara Lages

20 outubro 2007

[raiva de olhos azuis]


Eu odeio que, em lances de amor, me peçam racionalidade enquanto eu me encontro em um poço de ódio. É lindo sair por aí pagando de superior, escondendo a sua raiva como se nada te afetasse, como se dignidade fosse sinônimo de indiferença. Mas não é.

Esconder o que se está sentindo apenas para aparentar que tudo está bem é uma faca de dois gumes, porque o controle da raiva é tão facinho de ser quebrado que chega a me fazer rir as histórias que eu conheço de “tudo está bem, mesmo com a merda”.

Mas, óbvio, sentir-se na merda obriga a nada estar bem e, disso, surgem atitudes tão infantis daqueles que se amam (ram) e até mesmo expectativas bobas das atitudes “racionais” advindas do fim que me causam espanto.

É gente que escreve textos sem nomes, mas citando características que fazem todo o sentido necessário, como se estivesse todo feliz em encontrar possibilidades de novo amor, mas só querem afetar o antigo.

São aqueles que não resistem à uma boa fuçada em todos os meios internéticos para descobrir o que o outro está fazendo, mas jamais admitiriam isso. É quem espera que o amor seja algo tão sublime, que faça com que as ações que surgem do fim dele se amparem em tudo que representou, garantindo sorrisos mesmo quando a vontade é o choro.

Parece até que eu estou fazendo o mesmo, citando exemplos como se fossem invenções minhas, mas é porque não sou a palmatória do mundo e acho que essa racionalidade que todos desejam aparentar é tão falsa que as atitudes se tornam visivelmente sem sentido para quem as faz.

Por isso que nunca deu certo tentar ficar amigo de minhas ex-namoradas. Por mais que pareça existir essa amizade, por mais que exista carinho, desejo de felicidade mútua e mesmo uma saudade boa, a intimidade de um relacionamento é uma arma eterna para quem não está mais junto.

Seja sua performance sexual, suas nóias, seus amores além dela, tudo em quanto fica guardado e pode ser usado em uma conversa bobinha, de “amigos”, como se nada daquilo representasse mais. O problema é que mágoa fica e sou daqueles que crêem demais que, mesmo sem raiva, certas lembranças só se tornam lembranças porque são insuperáveis e representam o amor que não deu certo.

Amor que acaba é algo que não se esquece. Não importa o quanto amor você tenha daqui pra frente, mas, se já amou outra vez, acreditou que era a última. Sendo assim, acreditou também que se não deu é porque alguém fez errado e quase ninguém, para soar democrático, pensa que a culpa foi sua.

O que eu quero mesmo é não falar, não manter contato, não ouvir sequer o nome ou encontrar em um bar sujo sozinho para tomar cerveja. Quero é distância, tempo para que eu pense no que fiz ou no que fizeram comigo, mesmo sabendo que nada disso vai fazer a raiva ir embora rápido.

É questão de maturidade, que não quer dizer entendimento completo e cristão. “Eu não te amo mais”, “Você me faz sofrer pra caralho”, “Eu preciso de um tempo pra mim”, “Eu acho que gosto de outra pessoa”, “Eu te traí”, “Você me traiu”, “Nós traímos”, não importa quais foram os motivos que te levaram ao fim.

Só não me peça pra ser legal com você depois disso...


12 outubro 2007

[agora e toda hora]

I have no idea what I am talking about

I'm trapped in this body and can't get out

04 outubro 2007

[version]


Na primeira olhada, eu só percebi que aquele videozinho que o site havia colocado em destaque tinha a Amy Winehouse tocando. Confesso que só por isso procurei assisti-lo, mas bastou a primeira batida pra que percebesse que ali tinha bem mais do que minha junkie preferida.


O que tinha era Mark Ronson, um daqueles seres que nasce com a bunda virada pra lua, juntando tudo de bom na vida dentro de uma pessoa só. O cara nasceu na Inglaterra, numa família rica, toda enrolada com música, ao ponto dele conviver com pessoas do naipe de David Bowie e Paul McCartney rodando dentro da casa dele.


Daí, com essas influências (boa música + dinheiro), ele resolveu virar produtor, fazendo um bando de trabalho com gente fodao, fodinha e nem tanto. Mas o lance é que o disgra conseguiu mostrar que entende do que tá fazendo, ainda mais agora com o lançamento do cd Version.


O nome já diz tudo. Version traz releituras do produtor pra músicas das mais diversas, misturando pop, rock, antigo, novo, tudo numa cadência musical mantida por uma baterias fortes e instrumentos de sopro, junto até mesmo de violinos.


As cinco primeiras músicas já são petardos que justificam o hype em cima do homi. Abrindo com uma versão de "God put a smile upon your face", Mark transforma todo o somzinho reflexivo do Coldplay em uma espécie de big band, com uma velocidade que deixaria o Chris Martin cansado, mas que já dá o clima do que vai vir adiante.


Depois, a pimentinha Lily Allen surge malemolente, cantando "Oh My God", originalmente dos rockeirinhos do Kaiser Chiefs. Mark dá mais fôlego para a música, que, por incrível que pareça, me soou altamente estranha como rock quando a ouvi na voz dos seus donos. Ele ainda fez a dona Lily ficar mais contida, mas em um direcionamento que a fez mais sexy, até na forma com que geme em meio aos trombones (=]~).


A terceira traz o primeiro momento de coragem de Mark Ronson. Com uma pegada que me remete ao eletrônico, ele pôs um tal de Daniel Merriweather de para se aventurar em sua versão de "Stop me if you think you've heard this one before", do The Smiths. Mas, abençoada pelo Morrisey e, realmente, ganhando uma aura classuda, ao mesmo tempo, perfeita de dançar, ele consegue ir além dos fãs mais hard-core e fazer uma versão afiadíssima.


Na próxima, ele subverte completamente um "clássico" de Britney Spears. O black chega dando à "Toxic" o título de melhor versão do cd, sem nenhuma dúvida. A música que, descobri depois, é adorada por vários amigos entendidos dos sons, consegue ficar ainda mais sensual, com sua pegada nigger e a batida lenta. Literalmente, outra música.


A quinta é foda por ter a Amy, já que eu nunca tinha ouvido falar do The Zutons, cantores originais de "Valerie". Apesar da música ótima, o mais engraçado foi que, quando foi gravar o clip, Amy estava na rehab, o que obrigou Mark a chamar várias sósias da cantora e colocá-las no palco. Foda demais!


Depois delas, alguns percalços, como "Pretty Green", cantada pela banda Santo Gold, com uma vozinha meio bad-Cindy Lauper e "The only one I know", com aquele tristinho do Robbie Williams, temos o balanço do Radiohead. "Ãh, Radiohead balançando? O que?".


Pois é, fio. O DJ se aventurou pelos sons do seu Tom Yorke, deixou de lado as possíveis gritarias dos indies e deu uma grooveada em "Just". Com disse a dona Maria, a música já era das mais “animadinhas” do Radiohead, mas, nas mãos de Mark, ficou ideal para qualquer pista.


Três das músicas ainda são de "autoria" do DJ: "Inversion", "Diversion" e Outversion", sendo a segunda prelúdio para a versão de Ronson para mais uma das boas, "L.S.F.", versão cantada pelos donos da música, da banda inglesa Kasabian. Ele ainda tem um podcast semanal, chamado "Autentic Shit", que sai na East Village Radio, no qual ele mostra o que formou seu gosto. No fim, fico só pensando em muita gente dançando ao som do inglesinho. E no quanto ele ainda pode fazer de legal.

02 outubro 2007

[guardado]


Ei... eu fiz mais chocolate pra você...

27 setembro 2007

[me conheço?]

Jamais vou esquecer os olhos lacrimosos da vovó quando eu anunciei que seria médico. Os eternos sonhos dela em ver netinhos de branco obtendo êxitos no Programa de Saúde da Família começavam em mim, abrindo as portas do exemplo de vida que seria meu curso ainda em concepção.

Mas eis que meus planos não passavam pela bata. Aliás, quando penso em toda a odisséia de escolhas que me levaram ao jornalismo, penso nas vezes em que vi o quanto o mais fácil nem sempre é o mais certo, mesmo que isso soe tão clichê.

Meu lance nunca foi sangue e pedaços de gente. Isso é muito cinematográfico e eu já havia visto o suficiente de Tarantino quando me dei conta que não sabia o que fazer da vida. E a verdade era essa. Eram tantas preocupações, já que a vida adolescente sem um exagero não se sustenta, que a própria idéia de saber o que eu queria para o resto dela me soava como desnecessária, mesmo sabendo o que eu não queria dela.

Um ano a mais de estudo, todos os cordados inertes novamente, professores amedrontando todos com os tridentes de outra desaprovação no vestibular e, de um estalo, tasquei a decisão: jornalismo.

Sem pompas, sem firulas, sem momentos de discussões com terapeutas vocacionais. Somente iluminação tardia, somado a um desespero maior que se instalava nos ânimos dos meus pais. De posse da vaga na universidade, se deram em mim os momentos de certeza, quando o caminho indicado se mostra o correto e você fica todo feliz com qualquer bobagem que dá certo.

Assim foi na primeira matéria que fiz, sobre a umbanda, que cheirava a leite de tão singela, já que eu ainda estava no primeiro período. Também o foi na primeira edição do famoso Calandragem, o jornal laboratório da Universidade Federal do Piauí.

E com minha voz no rádio, com meu rosto na televisão, com minhas sofridas (e, para não perder a rima, divertidas) desventuras de estagiário e, por fim, com uma monografia que vai me garantir um tema ainda para mestrado e doutorado.

O jornalismo não só me fez ser o que eu sou, resumindo em si a resposta à pergunta que originou esse texto. Ele chegou sem um porquê e agora, depois desses quatro anos, se mostra como certeza, mesmo que a explicação dessa certeza sempre esbarre na emoção de não saber explicá-la.

O fato é que sempre pensei na universidade como um filtro. Aqueles que possuem gostos parecidos se reúnem em nome de uma profissão a seguir. No meio do caminho ficam os que não se encontraram nas escolhas. Eu me encontrei nelas e nas pessoas que passaram. São as paixões mal resolvidas do Pedro Jansen. A determinação da Clarissa Poty. O medo de assumir o próprio talento do Edson Júnior. As incertezas da Sanmya Menezes. A inconstância do Marco Teles.

Todos jornalistas, todos meus amigos, todos decididos a, como eu, encontrarem uma resposta para dar a essa pergunta. Eu espero ter findado a procura: sou um jornalista, já decidi, com todas as incorreções que o termo permite.

Hoje, já tenho um primo médico, o que fez minha avó perder esse desejo tão intenso de me ver abrindo corpos. Na verdade, diferente do que eu imaginava, essa história de ela me ler todos os dias está fazendo com que acredite mais do que eu nessa minha decisão. Agora, toda pomposa, mostra os jornais às amigas e, cheia de certeza, diz: "Tá aqui meu jornalista da Veja". Agora, basta eu ajudar a fazer as predições da minha avó se tornarem reais.

18 setembro 2007

[prêmio]

[matéria premiada no Concurso Dom Avelar Brandão Vilela, como melhor de jornal impresso sobre a Caminhada da Fraternidade 2007]
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A fé é um ato solitário. Para conseguir elevar-se até o lugar em que se encontra aquele ser ao qual você devota suas preces, por vezes é necessário fechar os olhos e ver dentro de si, para enxergar como se chega até ele. Entretanto, quando as preces se juntam em uníssono é que percebemos a força dessa fé, pois em cada olho fechado está um mesmo pedido.

Pensar em mais de 60 mil preces então é pensar em um poder de fé que consegue, de verdade, tocar Deus. Todas elas estiveram reunidas ontem (17), na 12ª Caminhada da Fraternidade. Em seus 7,6km de extensão, os fiéis teresinenses e de diversas cidades do estado enfrentaram o sol para demonstrar sua preocupação com o meio ambiente.

Com o tema “Vida e missão neste chão”, a Caminhada da Fraternidade, organizada pela Associação Social Arquidiocesana (ASA), juntou fiéis de todas as idades ao redor da Igreja de São Benedito, ponto de partida. Todo paramentado, com camisa da caminhada, boné e no seu carrinho, o pequeno João Victor, de dois anos, era um dos exemplos da mistura que era o evento.

Sua mãe, Bellynha Quaresma, na sua primeira caminhada, diz que está pagando uma promessa que fez a si mesma de que participaria. “Passei a noite acordada, mas estou aqui e nós dois vamos fazer todo o percurso”, garante.

De acordo com Emília Nunes, coordenadora do evento desde sua primeira edição, a cada ano a receptividade dos fiéis é maior. “Quando lembro que reunimos três mil pessoas na primeira vez e agora mais de 60 mil só posso dizer que é um sinal de Deus”, garante.

Segundo Emília, até a terceira edição, somente o Lar da Fraternidade era beneficiado com os recursos originados com a caminhada. Depois dela, o dinheiro arrecadado pôde ser dividido entre diversos projetos sociais. “Ajudamos cerca de cinco entidades com o dinheiro que conseguimos a cada ano e fazemos sempre a prestação de contas”, frisa.

Em seu discurso durante a celebração que antecedeu a caminhada, o padre Tony Batista, idealizador do evento, ressaltou que ela é um ato de amor, um grito de atenção para a causa ambiental. Segundo Tony Batista, a sensação causada pela caminhada é “escandalosamente alegre”.

“Ver a grandeza e a beleza da fé dessas pessoas me faz sentir a solidariedade que existe em cada um de nós. Fico sem palavras, porque o povo não se acomoda, participa e a cada ano aumenta”, assegurou, logo ao chegar ao ponto final da caminhada, no cruzamento da Avenida Universitária com a Avenida Ininga.

Realmente, os fiéis que seguem a caminhada não se deixam abater. Exemplo maior está em Saturnina Ramos de Oliveira que, aos 100 anos, estava atenta às palavras dos celebrantes da missa. Apesar da voz distante, o passo ainda era firme e ela afirmou que a fé era o que a mantinha participando da caminhada. “Quem me deixa vir é o pai Deus”, diz.

Cerca de 45 carros de som foram colocados ao longo do percurso para acompanhar os fiéis. No ponto final da caminhada, um palco mostrava vários shows, que eram transmitidos através dos carros para aqueles que caminhavam. Quando os fiéis começaram a chegar, foi montada uma quadrilha, mostrando que nem o sol nem o cansaço da caminhada tiraram o pique deles.

Com 68 anos, Joana Maria da Conceição Silva falou sobre a sorte que é conseguir, na sua idade, fazer o percurso inteiro. Ela diz que já faz isso há quatro edições e que vai participar enquanto puder. “Se Deus quiser estou aqui no ano que vem”, completa.

Já a eleita rainha caipira da quadrilha da Fraternidade, como foi batizada, dançou por entre as pessoas e deu show no palco. Aos 65 anos, Francisca Clemilda, ofegante após sua “apresentação”, só teve fôlego para dizer uma coisa: “Cansei”.

A fé faz você caminhar 7,6km, agüentar o calor de Teresina e, no caso do padre Tony Batista, já pensar nos preparativos para a 13ª Caminhada da Fraternidade. “Ela vai acontecer no dia 15 de junho de 2008”, fala. Mas, na hora do forró, nem mesmo a fé espanta o cansaço. Entretanto mostra que os fiéis não arredam o pé quando o assunto é fraternidade, mesmo que seja para dançar no asfalto quente.

16 setembro 2007

[...]


Mom says death is as natural as birth and it’s all part of the life cycle.

She says we don’t really understand it, but there are many things we don’t understand and we just have to do the best we can with the knowledge we have.

I guess that makes sense.

But don’t you go anywhere.

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Don’t worry…


13 setembro 2007

[ops! I did it again]


[coluna Zum Zum, caderno For Teens, Jornal Meio Norte de 13-09-07]
De paladina da virgindade à pop-bitch, Britney Spears já se deu ao luxo de ser tudo. Mesmo sem o poder camaleônico de Madonna, a sua musa que ela teima em imitar, Britney conseguia causar furor, fosse pela sensualidade com aura teen, fosse pelas saídas sem calcinha.

Mas, de uns tempos pra cá, a sensualidade foi dando lugar a cenas de terror estilo filme B, nas quais ela raspava a cabeça, lutava contra fotógrafos ou fumava quase acertando as cinzas no rosto dos filhos. Tudo bem, tudo bem. Engordar é um processo que, realmente, pode atrapalhar a vida de qualquer celebridade que depende não só da voz, mas no caso de Britney, os quilos a mais foram um pontapé para a coroação de seu declinío, acontecido essa semana.

Alardeado em todos os cantos do mundo pop, seu último single, Gimme More, seria lançado com todas as pompas no Video Music Awards (VMA), prêmio da MTV americana que aconteceu no último domingo (09) e iria servir como o retorno da loirinha aos braços do planeta inteiro. Mas, algo saiu diferente do planejado. Visivelmente nervosa, sem conseguir acompanhar a coreografia e enfiada em uma lingerie que não escondia nada de seus quilos a mais,o que Britney conseguiu foi deixar todos na platéia constrangidos.

"O grande acerto da noite, no entanto, foi Britney Spears. Todo mundo apostou que a apresentação dela seria um fiasco e Britney não nos decepcionou. Fez uma cagada das boas. Good girl!", resumiu bem o blogueiro Phelipe Cruz, do Papel Pop
. Mas, seja por conta de bebidas, como alegaram alguns, seja por nervosismo, como outros dizem, o que não me saí da cabeça é que, na ânsia de voltar a vender, Britney resolveu chutar o pau e fazer da seu retorno notícia pelo modo avesso.

Será mesmo que ela iria ganhar tanta exposição se tivesse aparecido dançando legalzinha, como se tivesse acabado de sair das férias? Eu acho que não. O lance, ao que parece, foi mesmo fazer papel de louca, com cara de quem não queria estar ali, para que os dois punhados de fãs que ainda acreditam que ela pode retornar, ficassem com peninha dela, e fizessem seu albúm vender por conta dela estar gorda e não saber mais dançar.

Jogada de marketing todo mundo faz. Quem faz bem, tipo a Amy Winehouse e seus problemas com as drogas, usa os defeitos como delírio pop e se tornam mais hypes. Britney já soube fazer isso de forma espetacular, como quando segurava a virgindade, mesmo gemendo melhor que muitas mocinhas, no clip de "I'm a Slave 4U". Agora, suas formas de aparecer incluem, além da apresentação pífia, as saídas sem calcinha. É, eu já falei mais em cima disso, mas vale lembrar que depois do VMA ela foi fotografada com as partes de fora, como se tudo estivesse normal.

O mundo pop é cruel. Britney, mais ainda com os fãs que lhe restam. Basta agora saber até quando eles vão endeusar uma musa drunk-bitch que acha que mostrar-se sem coberturas erógenas garante as vendas. Ops, you did it again, Britney. E ninguém sabe até quando ainda vão te fotografar por isso.

12 setembro 2007

[playlist da semana]

Down in Mexico – The Coasters

The Belleville Rendez-vous - Por -M- (The Triplettes of Belleville Soundtrack)

Harder to breath – Maroon 5

You Never Can Tell - Chuck Berry

Praise You – Fatboy Slim

Jessica – The Allman Brothers

Oh Happy Day - The St. Francis Choir Featuring Ryan Toby (Sister Act 2 Soundtrack)

Killing me softly – por Aretha Franklin

You know I'm no good – Amy Winehouse (BBC Sessions)

Dirty Harry – Gorillaz (remix)

Samba da benção – Vinícius de Moraes e Toquinho

O que me importa – por Marisa Monte

Idioteque – Radiohead

Soak of the sun – Sheryl Crow

Tudo bem – Lulu Santos
qual é a da sua?

11 setembro 2007

[1 + 1 = ?]


Eu cansei da monogamia. Minha inveja da felicidade alheia já chegou no limite e eu não tenho mais saco algum de ficar olhando os casais felizes, sorrindo do vento simplesmente porque estão juntos. Cansei de querer ir à um lugar e não ter alguém de companhia, mesmo que seja para que eu não coma sozinho, de voltar pra casa só eu mesmo, enquanto todo mundo volta junto e, mesmo que durma só, ganha um boa noite apaixonado, com juras de dia seguinte.


Cansei dessa felicidade partilhada de futuro, com planos pensados em dupla, em conta e cartão de crédito conjunto, da necessidade de ligar para saber se deve ou não comprar um video-game, se deve comprar uma camisa, um cd, um dvd, e de ver que aquela pergunta é que define, por vezes, o que o outro vai ter ou não. De ciúme enrustido (ah, como odeio ciúme enrustido), brigas por idiotice, tantas e tantas brigas por idiotices e de pazes feitas sem a idéia de que aquela bobagem toda serviu para alguma coisa.


Cansei de aturar a dor dos outros, quando eu mesmo não tenho mais saco para aguentar a minha. Dessa necessidade de se ser sincero sempre que existe entre os casais, que impede que você tenha histórias só sua com outra pessoa, porque sabe que um terceiro sempre irá saber além daqueles dois. Cansei das mesas em que fico em um canto separado, enquanto os braços em volta do pescoço se aglomeram e aquele clima de cochicho aparece de vez em quando, sem que você possa saber, porque eles sim podem ter histórias só dos dois.


Cansei de mãos dadas, beijos pequenos, médios, grandes, abraço com perna levantada e filme romântico. De casal de novela, história de portão, escova de dente na casa do outro, juras de eternidade. Cansei de apelidos carinhosos, saudade e juras de sexo, de histórias de sexo, de lembranças de sexo, de brincadeiras com sexo (o que pior que amor monogâmico? Sexo monogâmico?). Cansei do amor alheio, principalmente porque eu ainda me sinto incapacitado de fazer o mesmo.