28 novembro 2007

[the irrelevant times]

>> O ex-prefeito de Picos, José Nery de Sousa, foi preso e dormiu na penitenciária. Não tô virando comentarista político, mas isso me trouxe duas lembranças, uma dependente da outra. Meu pai foi secretário de cultura durante o mandato dele e, por uns bons anos, organizou o carnaval de lá. Num desses, em que o aniversário da minha mãe (23/02) caiu na terça-feira da festa, ele subiu ao trio elétrico no meio da noite, em frente à umas 10 mil pessoas, pediu que a banda parasse de tocar e fez uma declaração de amor para ela. Nisso, eu estava voltando com a moça que, à época, fazia minha cabeça e vi minha mãe aos prantos.


"O que foi, mãe?", perguntei assustado.


"Teu pai", ela disse e, na loucura, imaginei uma merda grande, ele a traindo com alguma piriguete interessada em coroas. Mas ela aponta pro trio e ele continuava lá em cima, dizendo que a amava.


Acho que isso aconteceu em 2003... e acho que, ainda hoje, ele faria tudo de novo. E, claro, minha mãe adorou aquilo...



>> Em meio à pedidos velados, findei por conseguir ganhar um aparelho de DVD. E não é um qualquer. Depois de mendigar em um de marca duvidosa (mas que me fez bem feliz, confesso), agora eu tenho um negão em casa, bonito, forte, másculo e, principalmente, tocando de tudo, inclusive DivX. A idéia juntou um montão de gente que torrou seu rico dinheiro em prol de um gostador de filme que estava à míngua. À eles, eternos agradecimentos!



>> Saiu a nova foto do Coringa, encarnado pelo ex-bichinha (tá, só no filme) Heath Ledger, sempre bom ator. Ela veio na capa da revista Empire e mostra que, se depender de figurino e expressão, o novo algoz do Batman vai conseguir ser ainda mais psicopata do que o do velho safado Jack Nicholson, no filme do Tim Burton. Se bem que comparar é foda, já que o aspecto realista que o Christofer Nolan injetou nas aventuras do Morcegão realmente pediam um Coringa menos palhaço e mais assassino. Eu acho que vão ser mermo válido. Roendo os dedos (as unhas já se foram) até o dia 18 de julho do ano que vem.



>> Daniel Radcliffe agora fica dizendo em entrevistas que não está muito chegado no clima mais direcionado às relações entre os personagens que o diretor David Yates está dando para “O enigma do Príncipe”. Ele diz que Rupert Grint e Emma Watson estão adorando um filme mais feliz e blá blá blá mas que ele é tribal-hard-core e gosta mais das cenas com a varinha na mão (¬¬). O certo é que esse menino está crescendo e ficando cada vez mais gótico (e chato, e pedante, e convencido, e zoofílico). Se ele acha que beijar na boca é menos interessante do que gritar magias, tudo bem, mas depois do que foi feito em “A ordem da Fênix” e sabendo de toda a trajetória de Voldemort exibida no livro seis, porque não se dar ao luxo de termos um pouquinho de pegação em Hogwarts? Eu acho muito dignas as idéias de Yates, gostei demais do seu trabalho no quinto porque senti que ele gosta de Harry Potter, apesar de, depois de conversar com Lucy, eu tenha concordado com ela que Peter Jackson deva ser o diretor do sétimo. Não, não... é brincadeira... quer dizer... assim, ah...aliás, nem sei. Dobby morreu...



>> Meu irmão faz 11 anos sábado. E vou ficar com ele em Picos, na festa que ele vai fazer em uma lan-house. É isso que vocês tão pensando: ele vai chamar um bando de gente e esse bando vai ficar jogando on-line por uma boa parte da noite, se não for a noite toda. Festas moderninhas em Picos, ya know? E, antes que você, Sanmya, pergunte assustada se tem lan-house em minha cidade, eu digo: TEM! =P



>> Ouçam Sweet Cherry Fury... é brasileira e é muito boa!

25 novembro 2007

[pedaços]


Às vezes eu tenho recaídas na minha nostalgia insignificante e fico olhando as fotos das pessoas que fui perdendo pelo caminho. E são muitas, tanto as fotos quanto as pessoas.

Nada mais natural, claro. Se pudéssemos manter todos que a gente um dia teve alguma espécie de carinho, nosso mural de fotos seria a muralha da China e aquela desculpa que damos a nossa mãe que estamos no aniversário de fulano seria sempre verdade.

Mas não. Apesar de que não estarmos falando de seres descartáveis, mesmo que aquele lance de dizer que ninguém é insubstituível, não adianta querermos manter as relações para sempre. Aliás, não adianta para mim.

Das amizades que mantenho hoje, que eu considero como verdadeiras e, claro, excetuando a minha melhor amiga, que conheço desde sempre, nenhuma supera os cinco anos. Com nenhuma delas eu conto histórias de adolescência, porres homéricos aos 17 anos ou mesmo um dia de não fazer nada nas férias escolares.

Todos os meus amigos são feitos de forma rápida, em uma intensidade que, mesmo para eles, é muito forte e menos demorada de acontecer do que o normal deles. Não tenho nenhuma qualidade superior a ninguém, não sou mais legal que nenhum deles, mas esse lance da rapidez sempre ocorre.

Se isso faz com que elas também tenham velocidade no fim? Não sei. Aliás, eu não sei nem o porquê de estar escrevendo isso...

14 novembro 2007

[7]


Harry Potter e a pedra filosofal

- Escondeu o que de mim? – perguntou Harry, ansioso.

- PARE! Eu o PROÍBO! – gritou tio Válter, em pânico.

Tia Petúnia deixou escapar um grito sufocado de horror.

- Ah, vão tomar banho vocês dois – disse Hagrid. – Harry, você é um bruxo.

.

Harry Potter e a Câmara Secreta

E virou-se para ir embora.

- Venha, Dobby. Eu disse venha.

Mas Dobby não se mexeu. Segurava no alto a meia pegajosa e nojenta de Harry, admirando-a como se fosse um tesouro inestimável.

- O meu dono me deu uma meia – disse Dobby, incrédulo. – O meu dono deu a Dobby.

- Que foi? – cuspiu o Sr. Malfoy. – O que foi que você disse?

- Ganhei uma meia – disse Dobby, incrédulo. – Meu dono atirou a meia e Dobby a apanhou, e Dobby... Dobby está livre.

Lúcio Malfoy ficou imóvel, encarando o elfo. Então, atirou-se contra Harry.

- Você me fez perder o criado, seu moleque!

Mas Dobby gritou:

- O senhor não fará mal a Harry Potter!

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Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban

“O Lord das Trevas está sozinho e sem amigos, abandonado pelos seus seguidores. Seu servo esteve acorrentado nos últimos doze anos. Hoje à noite, antes da meia-noite... O servo vai se libertar e se juntar ao seu mestre. O Lord das Trevas vai ressurgir, com ajuda de seu servo, maior e mais terrível do que nunca. Hoje à noite... o servo... vai se juntar... ao seu mestre”

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Harry Potter e o Cálice de Fogo

De muito longe, acima de sua cabeça, ele ouviu uma voz fria e aguda dizer: “Mate o outro.”

Um zunido, e uma segunda voz que arranhou o ar da noite:

- Avada Kedavra!

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Harry Potter e a Ordem da Fênix

- Uma pessoa não pode sentir tudo isso ao mesmo tempo, explodiria.

- Só porque você tem amplitude emocional de uma colher de chá, isso não significa que sejamos iguais. - disse Hermione maldosamente, retomando sua pena.

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

- Vai dar tudo certo, senhor – Harry repetia sem parar, mais preocupado com o silencio de Dumbledore do que estivera com a fraqueza da sua voz. – Estamos quase chegando... Posso aparatar com o senhor para voltarmos... não se preocupe...

- Não estou preocupado, Harry – disse Dumbledore, sua voz um pouco mais forte apesar da frieza da água. – Estou com você.

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Harry Potter e as Relíquias da Morte

Houve um estrépito quando os dentes do basilisco caíram em cascata dos braços de Hermione. Correndo para Rony, ela se atirou ao seu pescoço e chapou-lhe um beijo na boca. Rony largou os dentes e a vassoura que estava carregando e retribuiu com tal entusiasmo que tirou Hermione do chão.

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[quero ver os pottermaníacos fazerem as suas escolhas]

13 novembro 2007

[avenida da esperança - 2]

Se eu pudesse, eu viveria de ficar lendo em cima da minha cama, tentando sempre arranjar uma maneira boa de que o livro fique em posição. Ficaria ouvindo músicas de todos os tipos, em volume mais alto possível, imitando as formas de dançar dos meus amigos. Teria unhas que cresceriam ao meu comando, só para que eu pudesse roê-las na hora que desse vontade. Teria dinheiro, muito, pra comprar o que me desse na telha, sendo que a minha telha nem é lá muito cara. Teria um cinema para mim, com uma máquina de pipoca do lado da minha cadeira e ela seria igualzinha a do Chandler e do Joey. Moraria com meu irmão e, mesmo achando saudável, o mostraria que tem muita coisa legal no mundo além do Flamengo ganhar. Faria com que ela acreditasse. Não saberia não viver de amor...


[não é meme, mas eu respondi, Lucy...]


11 novembro 2007

[i still believe in magic]


"A garota se aproximou dele mais um passo.

- Então, pensei que gostaria de lhe dar uma coisa que fizesse você lembrar de mim, sabe, se encontrar uma veela dessas quando estiver fora, fazendo seja lá o que vai fazer.


- Acho que oportunidades de sair com garotas vão ser mínimas nessa viagem, para ser sincero.

- Esse é o lado bom que eu estive procurando - sussurou ela e, em seguida, beijou-o como nunca o beijara antes, e Harry retriubuiu o beijo, e sentiu uma felicidade que o fez esquecer todo o resto, melhor do que qualquer uísque de fogo; ela era a única realidade no mundo, Gina, a sensação do seu corpo, uma das mãos em suas costas e a outra em seus cabelos perfumados..."

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Página 95

07 novembro 2007

[8]

Ela mandou, eu faço!


1. Eu gosto de misturar o xampu e o condicionador e usá-los de uma vez só por achar esse lance de 2 em 1 super digno;

2. Sempre que estou sozinho no meu quarto eu estou pelado. Em um calor como esse, ficar com qualquer peça de roupa desnecessária (todas) é uma forma de masoquismo. Então, fico lá com o bicho que balança balançando (:P);

3. Fico suado em tudo quando é parte do corpo, desde as mais óbvias, como debaixo do braço, como nas mais estranhas, virilha e sobrancelha. Isso, associado ao fato que eu mor(r)o no inferno, me traz certos transtornos como enxugar a cara todo o tempo;

4. Eu já furei a cabeça e o queixo, dei um jeito e cortei todo o pé, já ralei mão, joelho, perna, barriga, braço, cortei a boca, levei topadas homéricas (e ainda tinha que suportar meu pai pondo sal para estancar o sangue), caí de bicicleta, caí de patins, caí de árvore, caí de escada, caí mais outra vez, mas nunca quebrei nem um osso e tenho trauma de nunca ter usado gesso no braço;

5. Não sei manter meus créditos de celular por mais de 2 dias. Seja mandando mensagens sem sentido para todas as pessoas, seja ligando para falar de qualquer besteira que tenha acontecido, eu os gasto sempre de forma a saber que, com um celular de conta, eu estaria lascado;

6. Odeio o fato de que na profissão que escolhi você tem que acabar sendo educado com um bando de gente sebosa. Seja em repartição pública, em que todo mundo parece ter algo enfiado lá dentro ou no seu próprio ambiente de trabalho, em que a língua afiada natural consegue ser lapidada, o certo é que você acaba pagando de legal com um trocentas gentes pelas quais você deveria estar cagando. Mas, é a vida...

7. Tenho um sono extremamente fácil de chegar e difícil de acabar. Sou sonolento por natureza, bocejo a cada 5 minutos e sempre vou dizer que estou cansado (apesar de que bem menos que o Ennio). E, na maioria das vezes, eu estou mesmo muito cansado;

8. Adoro memes, se pudesse, responderia todos, mas tem um bando de gente que é tão engraçado (tipo a que me mandou responder esse), que eu acabo deixando de mão e guardo um bando deles respondidos só pra mim!

04 novembro 2007

[it's coming up]


Novembro chega e, mais uma vez, cá estou eu ficando mais velho. Não me importo com quem lembra ou quem esquece, não me importo de ganhar presente, principalmente por saber que, sendo assim, quando ganho, até um papel molhado me faz feliz. Mas, não custa nada uma baboseira que faça eu postar algo mais, então,vai aí um top 5 do que eu realmente queria ganhar de presente.


1. Nintendo Wii: sou viciado em video game, ponto! Acho que até um Master System me faria feliz (Alex Kid na memória!!!!!), mas a experiência visual que o Wii tem me causado até agora é proporcional a ótimos orgasmos, sendo que muitos deles, múltiplos, como em ver a porra do braço da Samus Aran se movendo ao bel prazer do jogador, em Metroid Prime 3. Tipo de coisa que faria o presenteador ganhar um escravo branco foreva!


2. DVD: pobre sofre não só por não ter dinheiro. Sofre porque, sem dinheiro, tem de aceitar esmolas, e elas sempre representam algo que não te faz muita falta e você acaba passando em frente (ou vai dizer que você dá 10 conto pro flanelinha?). Por isso, quando a minha digníssima avó paterna comprou um dvd ultra-mega-stradivarius dvd com capacidade de ler de tudo, até javanês, ela pegou o antiguin dela e deu pámim! Mas, o coitado deu pau e como eu não fico muito à vontade vendo filmes na tela do computador, um novo aparelho de dvd cairia muito bem!

3. Extremamente alto e incrivelmente perto: não sei se foi o momento, não sei se foi o livro, o certo é que essa foi, até agora, a leitura que mais me tocou. Chorei, sorri, pensei, aprendi, vivi um pouco mais por conta de Oskar. Mereço ter esse livro comigo e, se for alguém me dando, melhor ainda!

4. Muita gente no Mercearia dia 22: véspera do grande dia e cheio daquele povinho que eu teimo em dizer que amo! Bom demar!

5. Visita do senhor Luis Eduardo Feitosa Campos: acho até que só precisava disso...

30 outubro 2007

[tim festival]

Até o momento que eu vi o palco enorme, eu não acreditava que era sim a minha pessoa que estava lá, dentro do Anhembi, em São Paulo, para ver o Tim Festival. Não importava o quanto de pessoas vestidas estranhas eu visse, quantas camisas de bandas de todos os cantos em olhasse ou mesmo o ingresso que eu teimava em manter próximo a minha mão: só quando me vi com os pés no cimento é que caiu a ficha e eu saquei que iria ver shows que não eram para esquecer nunquinha.
.

Fui para o Tim Festival na cara e na coragem, com pouca grana e nada de credenciais, porque esse ano parece que o pessoal da organização pensou que nenhum piauiense iria querer saber deles. Ledo engano. Acompanhado de mais três conterrâneos e sabendo de outros vários espalhados, chegamos cedo ao local do show.

Por outro golpe da sorte, o dia 28 de outubro foi quente, espantando a chuva que era dada como certa. Os tipos, cada vez mais estranhos e interessantes, se aglomeravam perto do palco e eu ficava cada vez mais nervoso. Eu não acreditava. Dali a pouco, artistas que eu só via em clipes de You Tube ou de downloads de internet iam estar ali, há 20 metros de mim.


Mas daí já não tinha tempo. “This is Spank Rock, motherfuckers!” e lá estavam os americanos de Baltimore iniciando o festival. Misturando hip hop com eletro, a banda mostrou uma interação incrível com a platéia, fazendo um batidão, com percussionistas, DJ’s, simulações orgásticas e muita dança para o público.

Apesar de o show ter sido minúsculo, por volta de 45 minutos apenas, deu para esquentar e, ainda, foi nele em que tivemos os únicos moshs da noite: sendo quase jogados pelo resto da banda, três integrantes se entregaram aos braços da galera, arrancando gritos histéricos de todos.

A noite chegou e junto dela veio o Hot Chip. Os ingleses fizeram o show mais fraquinho da noite, mesmo com vários fãs cantando junto. Não se sabe se pelo aspecto inglês de ser, mas o certo é que eles praticamente não interagiram com a platéia, fazendo um show mais voltado para eles mesmos.

Ainda sofreram com uma parada de 18 minutos, por conta de problemas no som, que fizeram o ânimo ainda ficar mais instável. Mesmo assim, na hora de Over and Over, o maior hit do grupo, os pulos foram constantes, apesar de pontuais.

Ao fim, mais de 1h de espera. O clima mudava, as nuvens ficavam mais escuras, mesmo que a chuva não aparecesse. No palco, bandeiras eram hasteadas, telões eram colocados, além de uma pequena arquibancada. A espera parecia infinita, mas toda ela foi compensada.


Enfileiradas, diversas mulheres envoltas em roupas bufantes e instrumentos de orquestra, cada uma com uma bandeirinha nas costas, se aglomeravam na arquibancada que havia no palco. E elas abriam caminho para um ser pequeno, em um turbante enorme, que entrava ao som de Earth Intruders: Björk, a deusa do gelo, estava no palco.

Nada havia me preparado para aquilo. Tudo no show foi pensando tendo alguma razão de existir. Fosse a orquestra, a subversão na falta de guitarras e baixos, ou os dois capitães dos computadores, que sampleavam as músicas ao toque de dedos, em um equalizador high-tech, a sensação era de transe.

E, claro, existia Björk. Dançando freneticamente, pulando no palco, dizendo “obrigados”, a islandesa causava sensações impressionantes em seus fãs, que choravam, gritavam e mantinham os olhos fechados em forma de prece. Era quase uma celebração pagã, em que uma deusa vinda de um local distante mostrava aos seus adoradores que ela era sim misericordiosa e poderia fazer seus desejos serem atendidos: sem dúvida o show mais bonito que eu já havia visto.

Depois de mais uma hora para retirada dos apetrechos do show da Björk (atrasos foram constantes em toda a noite), um palco quase limpo de detalhes foi tomado por Juliette & The Licks. Depois de abrir com Smash Ang Grab, uma piradíssima Juliette Lewis perguntava aos fãs: “Do you really really Love the Licks?”. “Yeah”, responderam em uníssono, dando a deixa para que ela fizesse o que bem queria.


Isso inclui pulos frenéticos, simulações excitantes com o microfone, peitinho de fora para o baterista e uma super intimidade com a platéia. Músicas como Get Up e Hot Kiss ainda eram acompanhadas por todos, mostrando que atriz-cantora sabe mesmo agradar diversos públicos. Entretanto, a banda sofreu com um som abafado, que tirou muito da graça de ouvir a voz desesperada de Juliette, mas que foi compensando por ela própria.

Uma correria para próximo do palco tomou conta do público ao fim de Juliette. Eram os Arctic Monkeys que se preparavam para entrar e parece que todas as quase 30 mil pessoas que estavam no Anhembi queriam vê-los. Com uma decoração simples, como em uma garagem iluminada por holofotes, Alex Turner e companhia fizeram o show mais elétrico da noite.


Com todas as músicas acompanhadas pelos fãs, eles dosaram bem as escolhas do primeiro cd, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not com as do segundo, Favourite Worst Nightmare. É incrível poder assistir um show de uma banda como Arctic Monkeys. Apesar da pouca idade, eles parecem estar em uma espécie de auge criativo, sendo extremamente intensos, como provaram na seqüência Fake Tales of San Francisco e I Bet You Look Good On The Dancefloor.

Mesmo pequeno e o pouco falatório com a platéia, os Macaquinhos do Ártico fizeram um show no ponto, que valeu a expectativa criada por ser hype internético.

Pés que doíam intensamente, uma fome desgraçada e tudo acabado nos bares do evento (só sobrou cerveja à cinco reais): antes do show do The Killers a sensação que tive é de que iria me desfazer em dor. Mas quando a decoração estilo old Las Vegas bíblico se iluminou e o vocalista Brandon Flowes chegou ao microfone, pedi aos deuses da música mais um pouco de força.


E valeu a pena. Mesmo com um atraso de três horas, a banda americana conseguiu fazer todo mundo perder mais um pouco da cabeça. Os hits estavam todos lá, como a enlouquecedora de platéias Somebody Told Me e Mr. Brightside, além de outras menos conhecidas, mas ainda assim ótimas da banda, como Jenny was a friend of mine, todas do primeiro cd, Hot Fuss, e o pop de Bones, do segundo trabalho, Sam’s Town.

Os Killers se despediram perto já das cinco da manhã, quando a enxurrada de gente começava a sair do Anhembi. Em casa, ainda excitado, me perguntava se tinha tudo sido verdade. Era sorte demais... Mas foi!

25 outubro 2007

[is this it]


O que eu queria te dizer era que, realmente, se eu for pensar bem, não sobrou muita coisa. Acho que umas músicas que a gente aprendeu junto, aquele dedilhado que eu teimo em repetir, um frasco de perfume que eu guardei...


Mas por que o sentimento deveria ser o mesmo depois de tanto tempo? Seguimos em frente, eu, na mesma idéia de conseguir abarcar o mundo sem me apegar a ele e você com seus sonhos de abarcar o mundo justamente para amá-lo. Não me agrada gostar de ninguém, você sabe.


Eu aprendi a achar esse lance de amor um entrave na vida das pessoas. Ter um filho, pra que? Não poder nunca mais dormir tranqüilo sem saber que ele respira ou mesmo entregar um carro só para satisfazer a adolescência dele mas morrendo de medo de uma morte em um sinal?


E onde fica meu sono nisso tudo? Onde eu encaixo o meu egoísmo, esse sim parte importante do que me faz ser mais forte do que a frustração de amar? Porque doer, já doeu um bocado. Principalmente porque o centro de controle do que sente é diferente daquele que diz.


Sim, eu quero falar que sou egoísta, que, realmente, meu amor é algo descartável, pra que eu possa manter-me longe da dependência que ele cria. Mas eu e você sabemos que ainda terei um filho e vou chorar em cada chute que ele der na sua barriga, porque esse filho nós decidimos ter juntos.


Mas eu digo sim que preferiria o egoísmo de um sono tranqüilo às experiências paternais. Porque eu tenho mesmo medo de amar e isso não é paradoxal. Eu fui criado para amar demais, eu fui criado sendo amado demais. Eu criei vínculos amorosos que sempre ultrapassaram os discursos alheios.


Eu tive mãe de filme infantil, que leva doce na cama e acorda o filho com um beijo na testa. Eu tive um pai que não tava cansado quando chegava do trabalho e punha meu presente de Natal embaixo da cama. Eu tenho pais que se amam e se beijam e se completam, mesmo depois de tanto tempo juntos. Me criaram para acreditar que amor é isso.


Daí, sofrer por conta de algo que sempre me foi passado como perfeito é pedir muita racionalidade. Meu abandono é minha forma de dizer que a sua realidade me incomoda e, se eu não puder ter aquela que fui colocado para acreditar que exista, serei único na minha procura sim.


Por isso, eu vou tentar esquecer que você disse que eu trato as pessoas como cartas. Porque, como eu, você está sendo egoísta, pensando que só a sua forma de amar é a certa. Ficamos quites. Porque eu também acho que a minha é que a vai me fazer feliz. E, nesse momento, minha felicidade é dormir.

22 outubro 2007

21 outubro 2007

[gimme 3 wishes]


De vem em quando você ama tanto alguém que esquece o quanto o seu amor não pode afastá-la do sofrimento...

Logo eu fui esquecer-me disso... Quanta ironia...

.

.

.

Sim, eu queria ser um gênio da lâmpada...

[don't you have anything better to do?]


tarefa repassada, à pedidos velados, por karla nazareth

the rules:

a) pegar um livro próximo (próximo, não procure).
b) abrir na página cento e sessenta e um.
c) procurar a quinta frase completa.
d) postar essa frase em seu blog.

observação a) não escolher a melhor frase nem o melhor livro.
observação b) repassar para outros cinco blogs (facultativo nessa jurisdição).

Livro: O Pasquim - Antologia - Vol. 1

"Eu tenho um revólver mas é de mentira"

[O fillho de Robin Hood - Vinícius de Moraes]


Repassada:

1. Clarinha Paz
2. Luciana Dantas
3. Pedro Jansen
4. Sanmya Meneses
5. Ana Clara Lages

20 outubro 2007

[raiva de olhos azuis]


Eu odeio que, em lances de amor, me peçam racionalidade enquanto eu me encontro em um poço de ódio. É lindo sair por aí pagando de superior, escondendo a sua raiva como se nada te afetasse, como se dignidade fosse sinônimo de indiferença. Mas não é.

Esconder o que se está sentindo apenas para aparentar que tudo está bem é uma faca de dois gumes, porque o controle da raiva é tão facinho de ser quebrado que chega a me fazer rir as histórias que eu conheço de “tudo está bem, mesmo com a merda”.

Mas, óbvio, sentir-se na merda obriga a nada estar bem e, disso, surgem atitudes tão infantis daqueles que se amam (ram) e até mesmo expectativas bobas das atitudes “racionais” advindas do fim que me causam espanto.

É gente que escreve textos sem nomes, mas citando características que fazem todo o sentido necessário, como se estivesse todo feliz em encontrar possibilidades de novo amor, mas só querem afetar o antigo.

São aqueles que não resistem à uma boa fuçada em todos os meios internéticos para descobrir o que o outro está fazendo, mas jamais admitiriam isso. É quem espera que o amor seja algo tão sublime, que faça com que as ações que surgem do fim dele se amparem em tudo que representou, garantindo sorrisos mesmo quando a vontade é o choro.

Parece até que eu estou fazendo o mesmo, citando exemplos como se fossem invenções minhas, mas é porque não sou a palmatória do mundo e acho que essa racionalidade que todos desejam aparentar é tão falsa que as atitudes se tornam visivelmente sem sentido para quem as faz.

Por isso que nunca deu certo tentar ficar amigo de minhas ex-namoradas. Por mais que pareça existir essa amizade, por mais que exista carinho, desejo de felicidade mútua e mesmo uma saudade boa, a intimidade de um relacionamento é uma arma eterna para quem não está mais junto.

Seja sua performance sexual, suas nóias, seus amores além dela, tudo em quanto fica guardado e pode ser usado em uma conversa bobinha, de “amigos”, como se nada daquilo representasse mais. O problema é que mágoa fica e sou daqueles que crêem demais que, mesmo sem raiva, certas lembranças só se tornam lembranças porque são insuperáveis e representam o amor que não deu certo.

Amor que acaba é algo que não se esquece. Não importa o quanto amor você tenha daqui pra frente, mas, se já amou outra vez, acreditou que era a última. Sendo assim, acreditou também que se não deu é porque alguém fez errado e quase ninguém, para soar democrático, pensa que a culpa foi sua.

O que eu quero mesmo é não falar, não manter contato, não ouvir sequer o nome ou encontrar em um bar sujo sozinho para tomar cerveja. Quero é distância, tempo para que eu pense no que fiz ou no que fizeram comigo, mesmo sabendo que nada disso vai fazer a raiva ir embora rápido.

É questão de maturidade, que não quer dizer entendimento completo e cristão. “Eu não te amo mais”, “Você me faz sofrer pra caralho”, “Eu preciso de um tempo pra mim”, “Eu acho que gosto de outra pessoa”, “Eu te traí”, “Você me traiu”, “Nós traímos”, não importa quais foram os motivos que te levaram ao fim.

Só não me peça pra ser legal com você depois disso...


12 outubro 2007

[agora e toda hora]

I have no idea what I am talking about

I'm trapped in this body and can't get out

04 outubro 2007

[version]


Na primeira olhada, eu só percebi que aquele videozinho que o site havia colocado em destaque tinha a Amy Winehouse tocando. Confesso que só por isso procurei assisti-lo, mas bastou a primeira batida pra que percebesse que ali tinha bem mais do que minha junkie preferida.


O que tinha era Mark Ronson, um daqueles seres que nasce com a bunda virada pra lua, juntando tudo de bom na vida dentro de uma pessoa só. O cara nasceu na Inglaterra, numa família rica, toda enrolada com música, ao ponto dele conviver com pessoas do naipe de David Bowie e Paul McCartney rodando dentro da casa dele.


Daí, com essas influências (boa música + dinheiro), ele resolveu virar produtor, fazendo um bando de trabalho com gente fodao, fodinha e nem tanto. Mas o lance é que o disgra conseguiu mostrar que entende do que tá fazendo, ainda mais agora com o lançamento do cd Version.


O nome já diz tudo. Version traz releituras do produtor pra músicas das mais diversas, misturando pop, rock, antigo, novo, tudo numa cadência musical mantida por uma baterias fortes e instrumentos de sopro, junto até mesmo de violinos.


As cinco primeiras músicas já são petardos que justificam o hype em cima do homi. Abrindo com uma versão de "God put a smile upon your face", Mark transforma todo o somzinho reflexivo do Coldplay em uma espécie de big band, com uma velocidade que deixaria o Chris Martin cansado, mas que já dá o clima do que vai vir adiante.


Depois, a pimentinha Lily Allen surge malemolente, cantando "Oh My God", originalmente dos rockeirinhos do Kaiser Chiefs. Mark dá mais fôlego para a música, que, por incrível que pareça, me soou altamente estranha como rock quando a ouvi na voz dos seus donos. Ele ainda fez a dona Lily ficar mais contida, mas em um direcionamento que a fez mais sexy, até na forma com que geme em meio aos trombones (=]~).


A terceira traz o primeiro momento de coragem de Mark Ronson. Com uma pegada que me remete ao eletrônico, ele pôs um tal de Daniel Merriweather de para se aventurar em sua versão de "Stop me if you think you've heard this one before", do The Smiths. Mas, abençoada pelo Morrisey e, realmente, ganhando uma aura classuda, ao mesmo tempo, perfeita de dançar, ele consegue ir além dos fãs mais hard-core e fazer uma versão afiadíssima.


Na próxima, ele subverte completamente um "clássico" de Britney Spears. O black chega dando à "Toxic" o título de melhor versão do cd, sem nenhuma dúvida. A música que, descobri depois, é adorada por vários amigos entendidos dos sons, consegue ficar ainda mais sensual, com sua pegada nigger e a batida lenta. Literalmente, outra música.


A quinta é foda por ter a Amy, já que eu nunca tinha ouvido falar do The Zutons, cantores originais de "Valerie". Apesar da música ótima, o mais engraçado foi que, quando foi gravar o clip, Amy estava na rehab, o que obrigou Mark a chamar várias sósias da cantora e colocá-las no palco. Foda demais!


Depois delas, alguns percalços, como "Pretty Green", cantada pela banda Santo Gold, com uma vozinha meio bad-Cindy Lauper e "The only one I know", com aquele tristinho do Robbie Williams, temos o balanço do Radiohead. "Ãh, Radiohead balançando? O que?".


Pois é, fio. O DJ se aventurou pelos sons do seu Tom Yorke, deixou de lado as possíveis gritarias dos indies e deu uma grooveada em "Just". Com disse a dona Maria, a música já era das mais “animadinhas” do Radiohead, mas, nas mãos de Mark, ficou ideal para qualquer pista.


Três das músicas ainda são de "autoria" do DJ: "Inversion", "Diversion" e Outversion", sendo a segunda prelúdio para a versão de Ronson para mais uma das boas, "L.S.F.", versão cantada pelos donos da música, da banda inglesa Kasabian. Ele ainda tem um podcast semanal, chamado "Autentic Shit", que sai na East Village Radio, no qual ele mostra o que formou seu gosto. No fim, fico só pensando em muita gente dançando ao som do inglesinho. E no quanto ele ainda pode fazer de legal.