23 janeiro 2008

[alardeando]


E lá estava o vocalista da banda dizendo, em meio a nomes que não se encontravam, que a gente precisa mesmo é amar para, duas músicas depois, eu vê-lo dançando e dizendo que ela tinha mesmo era que pegar um fila bem grande. Junto aos acordes, eu amanheci e anoiteci, nessa minha guitarra desafinada que é meu entendimento da Tchecoslováquia.

E vou seguindo assim. Dias e noites de (in) constância que podem surgir em um sorriso bobo que se dá ou em uma raiva estranha de ficar sozinho, que eu vou, diletantemente (mas com o afinco dos paradoxos), absorvendo. Aliás, será isso mesmo? Absorve-se conhecimento e eu ainda não aprendi como parar de sentir isso, então, acho que seria melhor não pensar muito em esponjas. Até porque ter um rosto com duas metades diferentes é algo que não se segura: não há músculos que interpretem essa idéia.

Minha cara fica ou pra cima ou pra baixo e quando eu fico nessa dicotomia, dá uma câimbra, pior do que quando eu beijo dentro d’água. Prefiro a constância da liberdade, até porque eu nunca concordei com o Jobim. Mesmo sendo uma letra daquelas que se bastam, acho que conseguiria ser feliz sozinho. Também não é uma ode à liberdade, se pensarmos que eu gosto das chegadas surpresas quando corro para apagar tudo o que possa ser denúncia.

É mais como uma forma de extirpar a imensidão, porque algo que não explico só pode ser enorme. O meu “sozinho” é estar sem necessidade de aproximação, de não precisar ver um filme pra lembrar nem fazer associações musicais que me causam pensamentos lunáticos de bicicletas para duas pessoas.

O que eu espero de ser livre é acordar para o dia, dormir em meio à noite, em uma certeza de existência dessa divisão que vai me fazer pensar que eu tenho conserto. Tudo vai ficando azeitado junto; as peças desencaixadas pelo desejo (que não é sexual, ok?) vão se aprumando e eu vou poder sentir, de novo, que um bom cinema comigo mesmo é o melhor programa do meu domingo à tarde.


5 comentários:

Mia disse...

Tudo na vida é de épocas. Chato, né?
Às vzes até penso mesmo que é possível, sim, ser feliz sozinho, acho Jobim, e todos os outros estúpidos.
Noutros dias a estúpida sou eu.

=*

Pedro Jansen disse...

tu me conta o filme depois? :)

dane_ly disse...

rs
mas o show foi lindo um foi?? rs

Xêru!

line disse...

eu li tudo.

Sanmya disse...

"eu sei que vou te tchecoslováquiar"


auhauhauhauh
muito bom, meo